Filha de Lampião e Maria Bonita receberá título de cidadã aracajuana no dia 11 de maio

Expedita Ferreira Nunes nasceu em 13 de setembro de 1932 na Fazenda Exu em Porto da Folha sob a sombra de um umbuzeiro. Filha de Virgulino Ferreira Silva e Maria Gomes de Oliveira, então conhecidos como Lampião e Maria de Déa, Expedita foi criada pelo Sr. Severo e Dona Aurora, coiteiros de Lampião até os 9 anos de idade.

A Câmara Municipal de Aracaju (CMA), atendendo a uma indicação do presidente da casa, o vereador Ricardo Vasconcelos, aprovou por unanimidade a outorga do título de cidadã aracajuana a Expedita Ferreira Nunes, filha de Lampião e Maria Bonita. A sessão solene de entrega do título está marcada para o dia 11 de maio, às 16h.

Expedita Ferreira Nunes nasceu em 13 de setembro de 1932 na Fazenda Exu em Porto da Folha sob a sombra de um umbuzeiro. Filha de Virgulino Ferreira Silva e Maria Gomes de Oliveira, então conhecidos como Lampião e Maria de Déa, Expedita foi criada pelo Sr. Severo e Dona Aurora, coiteiros de Lampião até os 9 anos de idade, quando, já órfã, foi entregue aos cuidados de João Ferreira, seu tio paterno, irmão de Lampião, que vivia em Propriá.

A princesa do Cangaço se mudou para Aracaju em 1947 e fixou residência constituindo família com Manoel Messias Neto, com quem teve quatro filhos: Dejair, Vera Lúcia, Gleuse Meire e Iza Cristina, e três netas: Karla, Gleuse e Luana.

Por anos, Dona Expedita se viu obrigada a omitir a sua verdadeira filiação em razão dos temores que resultavam das ações do cangaço, mas acabou descoberta pela Revista O Cruzeiro, no ano de 1953, quando ganhou destaque pela primeira vez na imprensa como herdeira de Lampião e Maria Bonita.

Desde que foi apresentada à importância histórica da trajetória de seus pais, Dona Expedita tem lutado pela preservação do legado histórico e cultural deixado pelos reis do cangaço. Maior exemplo, foi a saga que Dona Expedita capitaneou para recuperar os restos mortais de Lampião e Maria Bonita que ficaram insepultos no Instituto Nina Rodrigues, em Salvador, por 31 anos.

Recentemente, acompanhada por filhos e netos, Dona Expedita, que completou 90 anos de idade, se tornou sócia majoritária da empresa Lampião e Maria Bonita, sediada em Aracaju e que é responsável pela gestão imaterial dos nomes e legado dos reis do Cangaço, além de deter exclusividade de uso dos nomes dos personagens históricos. O objetivo da empresa familiar é gerar riqueza local e valorizar a força do casal.

Em 2023, Dona Expedita Ferreira foi homenageada pelas escolas de samba Mancha Verde, em São Paulo, e Imperatriz Leopoldinense, no Rio de Janeiro. Ambas ressaltaram o legado histórico e cultural de Lampião e Maria Bonita e destacaram a força histórica do cangaço para o Nordeste. As homenagens ganharam grande destaque na imprensa nacional e internacional.

Embora tenha nascido em Porto da Folha, Dona Expedita se apresenta como aracajuana de coração, destacando sua relação de amor com Aracaju em entrevistas, a exemplo do Fantástico da TV Globo e Programa Mais Você, apresentado em homenagem ao Dia da Mulher do ano de 2023, e na sua própria biografia.

Aos 90 anos de idade, um dos maiores sonhos de Dona Expedita, é ver erguido em Sergipe o Museu do Cangaço, cujo projeto encontra-se pronto desde o início dos anos 2000, e que abrigará objetos pessoais de Lampião e Maria Bonita, atraindo os olhos de pesquisadores, curiosos e turistas de todo o mundo.