Por unanimidade, o Tribunal Regional do Estado de Sergipe (TRE/SE) reprovou nesta quinta-feira (22) a prestação de contas da candidata a deputada estadual Marleide Cristina dos Santos, do Diretório Municipal do MDB em Lagarto.

Com a decisão, ela será obrigada a devolver R$ 468.922,23 (em valores corrigidos) que recebeu do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. O julgamento acompanhou parecer da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), que demonstrou, por meio da investigação realizada pela Polícia Federal, várias falhas na prestação de contas e fortes evidências de uma candidatura fictícia.

O julgamento de hoje, é apenas no âmbito eleitoral. De acordo com a PRE, que integra o Ministério Público Federal (MPF), o inquérito policial indica que “ela fez campanha em prol dos candidatos Fábio Reis (MDB), Belivaldo Chagas (PSD) e Jackson Barreto (MDB)”; sendo assim, o órgão afirma que deverá “encaminhar cópia dos autos para a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para abertura de eventual ação penal, em virtude do foro privilegiado de alguns candidatos”, como é o caso do deputado federal papa-jaca.

A investigação teve início em 2019, após um procedimento ser aberto pela PRE com base numa reportagem do O Papa-Jaca, detalhando a prestação de contas da candidata e indicando que esta teria gasto a maior parte dos recursos com aluguel de carros para carreatas da família Reis, pagamento de serviços ao marqueteiro Cícero Mendes, além de impressões gráficas suspeitas. O MPF afirma que ela declarou ter confeccionado 1 milhão de santinhos. Apesar do alto volume de verba, a ex-candidata obteve apenas 184 votos.

Meses antes da busca e apreensão, Marleide foi ouvida pela procuradora eleitoral Eunice Dantas, afirmando não se recordar da utilização dos recursos. Nossa equipe teve acesso à cópia do depoimento e conversou com a procuradora (confira a fala ao final da reportagem).

Repercussão ao longo de 2019 levou o deputado Fábio a abrir uma ação de indenização por danos morais contra o editor-chefe do O Papa-Jaca. Reis reclamou que declarações contidas na matéria compartilhada “foram capazes de ofender” sua honra, informa o texto jurídico. Para a juíza Daniela Bayma, a reportagem não se trata de “quaisquer ofensas, mas sim críticas inerentes ao campo político”, escreveu em decisão que julgou improcedente o pedido do parlamentar.