Nos últimos anos o descaso cada vez mais evidente com o antigo prédio do GE Silvio Romero se tornou um enigma. A falta de responsabilidade com a questão advém primeiramente do Governo do Estado, que por duas vezes possibilitou que as verbas enviadas – por meio do Ministério do Turismo e emenda do deputado federal Fábio Reis (MDB) – para a reforma do prédio fossem estornadas devido à ausência de um projeto que pudesse dar continuidade no processo.

Estima-se que em média, o valor da recuperação da estrutura ficaria em torno de 3 a 4 milhões de reais, em consequência dos anos que se encontra “entregue às baratas”.

O deputado Fábio Reis, em conversa com o Papa-Jaca, garante que já existe uma nova emenda no valor de R$ 1 milhão de reais, mas para que chegue até o município é preciso que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), sancione a Lei Orçamentaria Anual (LOA) – já aprovada pelo congresso. A LOA deve ter sua sanção até essa semana, conforme o prazo limite.

Em contrapartida, há um déficit por parte do Município, que embora tenha alegado acolhimento diverso aos moradores de rua que atualmente residem no antigo grupo escolar, e o respeito pela autonomia dos mesmos, o antigo prédio serve de moradia a desabrigados por muito tempo, isto é, para além de viverem em condições sub humanas, expostos a infecções causadas pela falta de saneamento no ambiente, este não foi e nem é o ambiente adequado e ideal para residirem.

Outro ponto que ainda consta é a ausência de limpeza no ambiente, que atualmente conta com muito lixo espalhado por sua extremidade, levando em consideração que o acúmulo deste pode causar doenças e até infestação de dengue.

A última restauração desse patrimônio histórico se deu em 1997, executada pela Secretaria de Estado da Educação (Gestão de Luiz Antônio Barreto), mas a obra não saiu como deveria. Com a ausência de banheiros, foi impedido o funcionamento total do prédio. Logo mais vieram novamente os descasos com a antiga Biblioteca Municipal em consequência do seu novo abandono.

Anteriormente ao restauro, o prédio já tinha servido de Secretaria de Segurança Pública, Escritório regional da antiga Ancarse – EMATER, curso de corte e costura e como escola particular Chapeuzinho Vermelho. Na década de 80 teve parte da sua estrutura demolida pela prefeitura, ação que foi interrompida por defensores da cultura lagartense.

Embora haja uma grande dúvida acerca do tombamento do prédio, o mesmo foi tombado em 1991, processo este que foi provado por unanimidade, mas só foi publicado em 20 de outubro de 1995.

Um prédio secular como este e que carrega um grande significado para a história municipal e até mesmo nacional, não deveria sequer ter passado anos e anos no limbo, sendo cada vez mais deteriorado conforme os anos se passaram. Mesmo sendo de responsabilidade do Governo do Estado, pergunta-se, por que as autoridades políticas lagartenses se isentam na preservação da história cultural da própria cidade? Visto que, em época de campanha política, facilmente se ouvem declarações de amor à cidade e narrativas lagartenses ao léu.