Mente descaradamente aquele político que disser que está apenas preocupado com a pandemia neste ano. Antes fosse verdade, e pudéssemos presenciar um esforço conjunto e coordenado da nossa classe política para diminuir o sofrimento da população. E aqui, no que nos diz respeito, para o bem-estar lagartense e sergipano. Mas exemplo de que essa história não vinga é o fato, por exemplo, dos dois parlamentares federais lagartenses Fábio Reis (MDB) e Gustinho Ribeiro (SD) não terem destinado emendas para a compra de vacinas que poderiam ser distribuídas em Sergipe, e por consequência, na cidade de Lagarto na ocasião da votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) aprovada pelo Congresso na quinta-feira passada (25).

Mas já que se corre para 2022, e lá também será necessário competência e probidade nas ações políticas para garantir saúde e gerir as crises, que poderão persistir, então é necessário jogar luz nesse viveiro de cobras que existe na política e pelo menos, isolar as mais peçonhentas para que Município e Estado não venham a sucumbir com o veneno de sempre; o que foi verificado até aqui com a má gestão da pandemia, com o fechamento de hospitais de campanha sem séria previsão de riscos e obscuridade nos gastos dos recursos enviados pelo Governo Federal para a Covid-19, dentre outras lambanças já conhecidas e mal digeridas pelos cidadãos. 

Eis o triste e angustiante panorama que se desenha para o lagartense no próximo pleito eleitoral: o grupo Saramandaia corre mais uma vez com a força dos seus inelegíveis e contas rejeitadas da vida na liderança da agremiação, a exemplo do poderoso Sérgio Reis (MDB) e companhia, para lançar o seu “Deputado Federal do Bem” – embora apoiado pelo já comprovado mal em termos de política -, além de empurrar a já exaurida pelo próprio agrupamento e boa Goretti Reis mais uma vez, sempre com a dúvida se terá mesmo o apoio integral dos seus na campanha. Tudo o que vier daí é previsível aos lagartenses e sergipanos.

No outro lado… A turma do deputado federal Gustinho Ribeiro (SD), conhecida agora como “Grupo GR” – uma extensa turba de fanáticos que se entranham nas ramificações da máquina pública e que agora berram o nome da “Tia Áurea” para a disputa do cargo de deputada estadual pelo “bole-bole”. Sim, a Tia Áurea, a mesma que dá nome àquela associação que o Ministério Público pediu a extinção por desvio de verba há alguns anos atrás, a “Associação Comunitária e Produtiva Áurea Ribeiro”. Verbas que saíram do gabinete do seu filho, o próprio deputado Gustinho, e foram destinadas para uma empresa de fachada com o intuito de promover “‘cursos profissionalizantes’ para pessoas carentes”, o que amplamente não se verificou – questão mal resolvida que se debate no Ministério Público até hoje dentro do escopo do que ficou conhecido como “Escândalo das Subvenções”. 

O “grupo GR” quer ainda indicar um membro para a chapa de Governo do Estado em 2022. Seus mais recentes aliados, alçados juntos ao poder em Lagarto, o grupo de Valmir Monteiro, que depois estrelou a novela “Traição E Corrupção” juntamente com o grupo de Gustinho – drama que parece nunca ter fim -, em Lagarto, também já mostra saliência eleitoral. O próprio ex-prefeito afastado e condenado Valmir Monteiro, ainda ressentido, e que se arrola em uma miríade de processos que não cessam de brotar das profundezas dos tribunais sergipanos por práticas irregulares na gestão do município de Lagarto, já diz querer disputar uma vaga para o parlamento serigy para atrapalhar os planos dos GR’s: só não se sabe com que roupa, ou melhor, com que possibilidade jurídica… 

As dinastias são mesmo um fardo para Lagarto. São uma miscelânea de opções indigestas, que já mostraram incompetências gritantes em gestão pública estadual e municipal, na pandemia, e agora já se lançam num rebuliço midiático para garantir a perpetuação de suas práticas já ultrapassadas. 

Solução? Fora da polarização sempre há. Não estão nas principais rádios, não estão nos portais de notícias tradicionais, não possuem mandatos, não estão protegidos pelas máquinas estadual e municipal. Quem quiser real transformação, é só ouvir as novas vozes, elas estão por aí em defesa do cidadão dentro de suas áreas de atuação, são pessoas comuns, profissionais de toda sorte, não são políticos profissionais. E em 2022, podem se apresentar como opções viáveis.