Contra o gosto de todo brasileiro, sergipano e lagartense, enfrenta-se o momento mais delicado da pandemia do novo coronavírus. A ameaça das novas variantes do vírus (que de certo modo ameaça até a vacinação) e o colapso geral do sistema de saúde com a escassez dos leitos de UTI é uma realidade inexorável.

Em Lagarto, as taxas de ocupação dos leitos reservados para os pacientes de Covid-19, acima dos 80% da capacidade, acionam a atenção para um alerta ainda mais preocupante. De modo que as duas unidades hospitalares do município, Hospital Universitário de Lagarto (HUL) e Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) por essência e tradição atendem à pessoas de várias cidades sergipanas, sobretudo do Centro-Sul do estado, o olhar para a gestão das taxas de ocupação das UTIs da cidade merece ser uma preocupação constante.

Tomando essa problemática como ponto a ser analisado nesta hora crítica, vale lembrar que segundo especialistas em saúde, não existe ainda um antiviral 100% eficaz para a doença, restando o uso de máscara e distanciamento social como as medidas efetivas que a população dispõe para não contrair o vírus e, consequentemente, não abarrotar dramaticamente as unidades de saúde da cidade. Pois é neste ponto, enquanto responsável pelo bem-estar dos lagartenses, que a atual gestão peca no método de divulgação dos dados relacionados à covid-19 no município, gerando desinformação e má conscientização da população, o que pode contribuir para uma crise de saúde interna.

Se há 30 leitos dentro da cidade, e desse total em torno de 25 estão ocupados (28 com nova atualização da Secretaria de Estado da Saúde (SES) – com o HUL com 100% de ocupação dos leitos), é um erro lógico a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informar em boletim que há apenas 1 internamento tomando por base os lagartenses que estão na UTI, criando uma nuvem de informação diante das taxas de ocupação dos leitos dentro do município. Ora, se o objetivo principal da divulgação dos boletins é manter a população informada sobre o panorama e andamento da doença na cidade, para que os papa-jacas adotem os cuidados necessários e se conscientizem e colaborem na prevenção do vírus e assim haja redução das mortes, o razoável é apresentar os números gerais da ocupação dos leitos.

O lagartense há de concordar que, diante da atual situação, na hipótese de necessitar com urgência de um leito, ao chegar no HUL por exemplo, nenhum médico irá desentubar um simãodiense ou riachãoense para dar lugar ao papa-jaca, puro e simplesmente por ser um munícipe. Então, nada quer dizer o dado da prefeitura de que dentro do município há apenas um lagartense internado. A não ser que atenda a uma jogatina de marketing para sugerir que o mundo inteiro está um caos e apenas Lagarto foi tocado pelo dedo de Deus, ou pelo sorriso da prefeita, o que para muito fanático vale mais que o toque do Criador.

Eloquente de fato, é a falta de sincronia do governo Hilda em relação ao que é divulgado, veiculado, impulsionado, postado, e a realidade das ações. Aliás, o município de Lagarto ainda não atingiu o percentual de 100% da vacinação referente às remessas da primeira e segunda dose dos imunizantes que chegaram à cidade. Lagarto até pode ser uma outra espécie de país, mas os seus habitantes não são outra espécie de ser humano. Ninguém está imune à pandemia.