Sem eleições na UFS Lagarto, o mínimo que se espera de uma universidade federal é a transparência nos critérios de escolha dos seus gestores pro tempores. Na mesma medida, a publicização de tais indicações – que sim, são políticas, nem sempre partidárias, mas políticas. Afinal, é de interesse público saber quem entra ou sai da direção do campus universitário.

Não apenas interesse interno da comunidade acadêmica, talvez principalmente, mas também deve-se lembrar da população que usufrui e se dispõe a contribuir com a pesquisa e extensão das universidades públicas. Todavia, não esqueceram meramente dos jornalistas que informam essas pessoas, já que estudantes e professores também não foram comunicados de maneira oficial – nem mesmo uma nota produziram para o site institucional.

“À comunidade lagartense: o único remédio contra autoritarismos é mais democracia, lutem por eleições.”

Comportamento não espanta, frente ao fato de que partiu de uma interventora, a professora Liládia Barreto, recém-indicada pelo Ministério da Educação (MEC) em substituição ao reitor definido. Na verdade, o que levanta indagações é a velocidade na troca da equipe. Quanto tempo a senhora Liládia achou que governaria a UFS? Não é saudável a troca de equipes por interinos quando ainda não definitivos, isso retroalimenta rupturas em projetos.

Foi exonerada a Dr.ª Adriana Carvalho, que dirige o campus desde 2016, após deixar o cargo de diretora acadêmico-pedagógica, que assumiu ainda quando a UFS Lagarto funcionava no prédio do Colégio Estadual Prof.º Abelardo Romero Dantas (CEPARD). Entrou em seu lugar o também pro tempore Dr.º Virgildasio Conceição; seu nome – sem foto ou biografia – aparece apenas ao final de uma página com todos os que compõem a equipe gestora de toda universidade.

Como não há nenhuma portaria definindo-o como implantado, desde que passou a funcionar no prédio atual, Lagarto é o único entre os Campi que nunca teve uma eleição para direção, dependendo sempre de indicação da reitoria e participando apenas do processo de escolha de reitores – via lista tríplice.

Esta mesma lista foi desrespeitada pelo MEC, não apenas em Sergipe, mas em oito estados. Graças a uma ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) o Supremo Tribunal Federal (STF) interviu e suspendeu liminarmente todos os nomes fora da lista tríplice, indicados pelo Governo, restabelecendo a autonomia universitária. Tema ainda será avaliado pelo plenário. À comunidade lagartense: o único remédio contra autoritarismos é mais democracia, lutem por eleições.