Em Lagarto, a 2ª Diretoria Regional de Educação (DRE-02) fechou questão sobre a retomada das aulas presenciais ao público dos terceiros anos nesta segunda-feira (23). Já professores, traumatizados com a perda de colegas para pandemia do novo coronavírus, relutam em aceitar a decisão do Governo do Estado.

O SINTESE – Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Sergipe – afirma que o problema é apenas a estrutura para garantir segurança sanitária aos envolvidos que não estaria sendo garantida por parte da Secretaria de Estado da Educação (SEED). Ao O Papa-Jaca, o presidente da subsede Centro-Sul do SINTESE, professor Nazon Barbosa, informou que o sindicato estaria acionando o Ministério Público.

“O senso comum logo irá me avaliar.”

Em meio à indefinição, o debate se impôs. De um lado, aqueles que acreditam que, de fato, já é possível retomar atividades presencias nas escolas. Do outro, profissionais que cobram a garantia do Governo de que a transmissão será zerada nas salas de aula, já sabendo que em tantos outros problemas básicos anteriores à pandemia, sempre faltou ação da SEED. Confira alguns pontos levantados por professores ao O Papa-Jaca:

1. Aulas híbridas

Com o retorno das aulas presenciais, o ensino remoto não estará abolido, estes sofrerão reajustes e passarão a ser híbridas. No entanto, é de conhecimento público que um docente gasta mais tempo planejando as aulas do que executando-as. Em que momento o professor conseguiria ministrar aulas remotas e presenciais, sobretudo num cenário onde temos educadores que ensinam em três escolas e nos três turnos?

2. Como será ofertado o transporte escolar?

Há que se considerar que o transporte em Lagarto trabalha com superlotação como se fosse algo comum. Para aplicar a lógica do transporte ideal numa pandemia por aqui seria preciso ou contratar novos veículos, por meio do sempre problemático convênio da Prefeitura com o Governo do Estado, ou selecionar quais estudantes teriam ou não direito de usufruir do ônibus escolar. Se a contratação de frota para este tipo de transporte já não fosse um problema, talvez a dor de cabeça fosse menor agora.

3. Apoio pedagógico

Grande parte dos alunos, dos pouquíssimos que estão participando das aulas remotas, retornaram ao apoio pedagógico – a chamada aula de reforço. Qual a solução da SEED para este público?

4. Recursos

O Governo do Estado liberou recursos PROINFO/Pandemia para serem executados nas adequações conforme as normas sanitárias; mesmo assim, a grande maioria das escolas não têm estrutura física às aulas normais, muito menos nestas condições necessárias.

Seria preciso garantir álcool em gel constante, higienização permanente dos banheiros e bebedouros, tapete sanitizante e medição de temperatura. Vale ressaltar que no Colégio Estadual Prof.º Abelardo Romero Dantas (CEPARD) até um ano atrás protestava-se porque o único alimento oferecido aos discentes era maçã.


“Quando eu, servidor público, me posiciono contra o retorno das aulas presenciais [agora], o senso comum logo irá me avaliar: ‘Oras, mas não era este mesmo que até segunda vivia circulando, fazendo campanha, participando de festas sem o uso de máscaras e agora é contra a trabalhar?’”, reflete o professor Manoel Messias após listar os pontos acima. Às vezes, nem é tudo é o que parece.