Como revelado com exclusividade pelo O Papa-Jaca, o ex-deputado federal e ex-diretor do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) Sérgio Reis, do MDB, foi indiciado pelo Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (DEOTAP), da Polícia Civil, pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e peculato em duas modalidades – desvio e apropriação.

“(…) a quebra do sigilo bancário da empresa mostrou que há muito, antes de realizar tal contrato, essa empresa não trabalhava com nada.”

Os crimes envolveriam a utilização de empresas diversas como laranjas em serviços prestados ao HNSC que, em seguida, repassariam os valores direto para uma conta de titularidade do próprio Sérgio. Uma dessas empresas, investigada numa ação penal específica, é a F&K Conveniências LTDA, de posse do mesmo.

Declaração de bens de Fábio, em 2010. PRINT: O Papa-Jaca

Todavia, de acordo com dados do deputado federal Fábio Reis (MDB) enviados ao TSE em 2010, a empresa pertencia a ele antes de ser repassada para Sérgio. Segundo a plataforma de Divulgação de Candidaturas, na aba Declaração de Bens, Fábio chegou a ter 95% do capital social da F&K Conveniências. Os dados foram atualizados em setembro daquele ano.

No entanto, na peça enviada pela DEOTAP à Justiça Criminal, a F&K é citada como empresa de Sérgio, isto em 2012, o que mostra que houve uma transferência de titularidade de um irmão para o outro no ano-véspera dos fatos investigados, em 2011. O que chama atenção é que já na eleição seguinte, em 2014, Fábio já não possui mais a posse da empresa, apenas de parte do prédio localizado na praça Filomeno Hora, nº 44, numa cota questionável no valor de R$11 mil.

Trecho do inquérito policial enviado à Vara Criminal. FOTO: Reprodução

A propriedade do imóvel foi declarada neste valor pelo parlamentar em todas as eleições seguintes – frise-se 2018 e, inclusive, 2020. De acordo com a Polícia Civil, a F&K foi contratada para alugar três geradores ao hospital “sem comprovar a efetiva prestação do serviço”, escrevem os investigadores. Na ação penal, procuradores afirmam que “a quebra do sigilo bancário da empresa mostrou que há muito, antes de realizar tal contrato, essa empresa não trabalhava com nada”. Vale ressaltar que Fábio não é investigado, pelo menos não até 2017, até porque comunga de foro privilegiado.

Segundo o Ministério Público, Sérgio foi cobrado a apresentar “documentação do referido gerador que teria sido alugado”, mas este “nunca forneceu a documentação pertinente, o que indica que o serviço nunca foi fornecido, sendo o contrato uma mera transferência de dinheiro público para o senhor Sérgio Reis, o qual comanda esta associação”.

Investigadores acreditam que a Villa F5 seria apenas uma fachada do esquema. FOTO: Reprodução