Pouco debatido municipalmente, o relatório sintetizado no conhecido JusBrasil pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SE), mostrou o resultado final da falta de financiamento adequado à Saúde Pública em 2012 na cidade. A vistoria realizada pela CDH não se limitou à Maternidade Monsenhor Daltro, mas avaliou também a Nossa Sr.ª da Conceição, 3 Unidades de Atenção Básica (UABs) e o então Hospital Regional, federalizado no Governo Dilma Rousseff (PT).

Os problemas da Monsenhor Daltro não eram apenas o valor acumulado de R$210 mil em dívidas ao INSS, mas também a falta de médicos, remédios e estrutura adequada. Vale lembrar que, na época, o local já estava sob responsabilidade da Prefeitura, que mantinha o Centro Municipal de Especialidades.

“Nós constatamos, lamentavelmente, que não havia nenhum médico atendendo nesta sexta-feira, em Lagarto. Em todos os lugares que chegamos, encontramos desculpas. Vimos um centro de especialidades que realiza apenas consultas, sem nenhuma condição de atendimento de especialidade como naturalmente deve ser, relatou.”

Maria Angélica Resende, Coordenadora de Saúde da CDH-OAB/SE

Agora, pouco mais de 7 anos depois, a Justiça Federal decidiu penhorar o local para quitação de débitos. O leilão já havia sido liberado e, em seguida, suspenso em 2019. Todavia, voltou a ser permitido e foi agendado para duas sessões, uma no dia 29/09 e outra em 06/10 – na última terça. Ocorre que em nenhuma das datas houve algum interessado. O leilão foi encerrado sem nenhum lance.

Com o fracasso nas duas rodadas de venda, o imóvel poderá ser negociado a um custo menor que o valor inicial, nas modalidades licitação fechada ou aberta. Sendo este R$1,5 milhão, a quantia arrendada ao fim da negociação corre o risco de ser inferior à metade do valor em que o prédio foi avaliado: R$2,5 milhão – 50% disso é R$1,25 milhão. Um lamentável fim para o histórico prédio da maternidade.