Em Aracaju, empresários promovem ato e exigem reabertura do comércio. Foto: Acese

Lagarto é uma cidade que dá e que sempre deu o que falar. Não é nenhuma novidade o fato de nós gostarmos de virar notícia. Primeiro, porque faz parte do instinto papa-jaca aparecer bem; segundo, porque temos sim, do que nos orgulhar, seja nas artes, na educação, no mundo empresarial ou no futebol. Até já recebi o deboche carinhoso de alguns colegas tobienses – que muito têm do que se gabar na literatura – de que nós temos mania de querer ser melhor em tudo. 

O fato é que, às vezes, tendemos também a aparecer negativamente, mas quando se trata de Covid-19, é a propaganda que ninguém quer ver. Pois bem. Quando se fala em flexibilização, reabertura do comércio, o furdúncio está montado. Já está claro para todos e todas que todo mundo sofre de qualquer jeito: se não abrir, naturalmente o empresariado terá dificuldade financeira, e consequentemente alguns funcionários ficarão inseguros; reabrindo, inevitavelmente os casos de Covid-19 vão desenfrear, e portanto as mortes vão ficar ainda mais próximas das nossas casas. 

O caso é, no mínimo, complexo. E o argumento da necessidade de ter de pagar as despesas e de manter os empregos é válido, ao passo que evitar a lotação dos leitos dos hospitais também. E agora, José? Vale pensar o seguinte…

Está na cara que o poder público – tomemos o nosso caso – a gestão municipal não quer perder influência política, daí fica pendulando: ora flexibiliza, ora fecha, depois deixa a responsabilidade para o Governo do Estado, que tem postura semelhante – decreta, abre portaria que contradiz o decreto… E meus amigos, é nesse balanço que a gente vai para o brejo (não o nosso, com linda flora e riachos revigorantes).

A prefeita Hilda Ribeiro já chegou a adotar algumas medidas, e a oposição caiu em cima. Será que a oposição em Lagarto faz a ocasião?

Com essa falta de coragem dos administradores, em tomar decisões que possam ser impopulares ou que venham a desagradar alguns setores da economia, há uma sensação de se estar empurrando o problema com a barriga. E não que uma reabertura gradual seja um erro, não. E nem deve se pensar que seja tarefa fácil. Mas espera-se que qualquer afrouxamento do isolamento como é a reabertura do comércio, leve em consideração a situação do sistema de saúde e o nível de crescimento do número de casos confirmados no município. 

Não adianta ficar liberando por pressão só para ficar bem na fita. Em vez de fazer o legal com a mão, é hora de pôr o dedo em riste e se for o caso dizer: – Oi, minha gente! Devido à situação preocupante que a nossa cidade se encontra, eu decreto o fechamento por tal período, e logo após, tendo condições, vamos pôr em prática um plano SISTEMÁTICO de reabertura gradual do comércio da nossa linda Lagarto -. 

Da parte dos empresários que querem uma reabertura imediata e a qualquer custo mesmo com os hospitais no limite da taxa de ocupação dos leitos – claro, não são todos -, sugiro que proponham o seguinte às autoridades: que unidos, decidiram que cada empresa ficará responsável pela compra de um ou dois respiradores, e a totalidade se une para ajudar a acelerar as obras do Hospital Nossa Senhora da Conceição (para aumentar o número de leitos da unidade) e ressuscitar a Maternidade Monsenhor Daltro, duas entidades que, sob a gerência de políticos locais, não tem vivido bons tempos em Lagarto. Seria de grande ajuda para desafogar o HUL.

Mas tudo isso, afinal, porque não queremos má notícia, não é mesmo? E como somos sibites de carteirinha, por que não estampar os tablóides como exemplo de combate ao coronavírus e estrutura para tratamento da Covid-19? A população que faça a sua parte: os que podem, que fiquem em casa.