Com o movimento #VidasNegrasImportam em ascendência, debates nacionais específicos da comunidade negra se intensificaram no Brasil. Entre as pautas, está a responsabilização dos fraudadores de cotas raciais e a instituição de bancas de heteroidentificação nas universidades que adotam o modelo. Nesta toada, perfis estão sendo criados em todo o país com o intuito de denunciar pessoas que, no sentido prático, impediram um indivíduo verdadeiramente negro de ter acesso a uma faculdade.

A moda chegou em Sergipe e, até o momento, seis estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), no campus Lagarto, já foram denunciados através do Twitter – fontes indicam que ao menos 15 pessoas do campus seriam expostos, mas a conta na rede social foi derrubada. O Papa-Jaca conversou com alguns dos acusados, mas não irá divulgar seus nomes.

Perfil criado já foi derrubado pela rede. PRINT: Reprodução/Twitter

A maioria destes, porém, são do curso de Medicina há alguns anos e uma, inclusive, já foi à Disney – e teve justamente a foto da viagem ao exterior exibida no Twitter. De todo modo, as imagens “são claras” ao exibir que as estudantes em questão não são negras ou pardas, mas, de fato, brancas (observam-se os fenótipos: nariz fino, lábios finos, cabelo liso, pele clara e olhos multicores).

Como se trata de um caso envolvendo a universidade federal, o tema deverá ser apurado pelo Ministério Público Federal (MPF), que conforme nota da UFS, será acionado. Além do MPF, a instituição acionou também a Comissão de Heteroidentificação do campus para realizar o procedimento prévio da apuração. Os eventuais condenados poderão ser expulsos, independente do período que estejam cursando. O Papa-Jaca seguirá acompanhando.

Leia na íntegra:

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LEIA A NOTA: “Diante da exposição de imagens de discentes da Universidade Federal de Sergipe em perfil na rede social Twitter, e da acusação de que os referidos alunos supostamente fraudaram o sistema de cotas raciais em processos seletivos da Universidade, a Pró-Reitoria de Graduação vem a público esclarecer que: . . Em respeito à Clausula Sexta do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a UFS e o Ministério Público Federal, os casos relatados por meio de denúncia à Ouvidoria da UFS, devidamente amparada por conjunto probatório que a sustente, serão incluídos em uma lista, que entrará em pauta de reunião da Comissão de Heteroidentificação para Ingressantes Pretos, Pardos e Indígenas (PPI). . . Os denunciados, caso seja necessário, se apresentarão à Comissão para verificação da denúncia e, após, um relatório técnico conclusivo será encaminhado ao MPF, que adotará medidas junto ao Poder Judiciário. Todos os candidatos aprovados em cotas para PPI, no Vestibular 2020 do Campus de Lagarto, estão obrigados a passar por avaliação da Comissão de Heteroidentificação de Ingressantes, conforme itens 2 e 5 do Edital nº 09/2020/PROGRAD, o que invalida a necessidade de denúncias antes do resultado das análises. . . Os trabalhos da Comissão de Heteroidentificação de Ingressantes, composta por representantes legitimamente reconhecidos pelos movimentos sociais e grupos de representação, desenvolveu as suas atividades até o advento da pandemia de Covid-19. A partir de então, em comum acordo entre os integrantes da Comissão, as atividades presenciais foram suspensas por questão de segurança sanitária. . . A Pró-Reitoria de Graduação não compartilha da abordagem utilizada pelo referido perfil no Twitter por considerar que, com a exposição dos casos realizada sem a devida instalação dos procedimentos adequados para a apuração da Instituição e do MPF, não há respeito ao direito da ampla defesa e ao contraditório dos denunciados”, finaliza a nota. #cotasraciais #fraude #ufs #opj

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