O uso da cloroquina para casos leves da Covid-19 ainda não foi liberado em Sergipe. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), a mudança do protocolo local, que garante a utilização apenas em pacientes graves, está sendo discutida. O assunto passou a ser debatido pela pasta após a liberação do remédio para casos iniciais da doença ser recomendada pelo Ministério da Saúde a médicos do Sistema Único. 

O estado tem 76 pessoas mortas pela doença e mais de 4,7 mil diagnosticadas, sendo que 177 delas estão internadas e 2.177 são consideradas curadas. 

De acordo com a SES, ainda não há adesão do remédio para os casos considerados leves “pelas frágeis evidências do seu efeito”. Entretanto, a pasta destacou que a prescrição do medicamento está sujeita à avaliação de indicação pelo médico responsável e à aceitação do paciente mediante assinatura de um termo de consentimento. Além de haver comprovação de eficácia, há o risco de arritmia cardíaca, segundo a The Lancet.

O presidente Jair Bolsonaro defende o uso da cloroquina no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus. Mas não há comprovação científica de que esse remédio seja capaz de curar a Covid-19. Estudos internacionais não encontraram eficácia no medicamento, e a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda a utilização. O protocolo da cloroquina foi motivo de atrito entre Bolsonaro e os últimos dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. No intervalo de menos de um mês, os dois deixaram o governo. 

Na madrugada desta sexta-feira (22), o governo exonerou o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde, Antonio Carlos Campos de Carvalho. Ele ficou no cargo por 18 dias desde sua nomeação e havia declarado que era contra o novo protocolo para uso da cloroquina em pacientes com primeiros sintomas da doença.