Na manhã desta quinta-feira (21) a sessão na Câmara Municipal de Lagarto foi acalorada. De um lado, uma denúncia solicitando a reabertura de um processo de impeachment contra a prefeita Hilda Ribeiro (SD), do outro, um pedido para que a Casa instalasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o vereador-presidente.

“Missa encomendada.”

No início de maio, o Ministério Público declinou à Câmara, por não entender ser sua competência, uma denúncia de que Hilda teria cometido crime de responsabilidade ao transferir, para conta de recursos próprios da Administração, parte de uma quantia recebida da União. Na análise, o setor jurídico da Casa entendeu pela necessidade de arquivamento, já que a denúncia seria anônima.

O tempo passou e O Papa-Jaca teve acesso ao indiciamento finalizado pela Polícia Civil que investigou os vereadores Joselmo de Antônio Simões (PSC) e Eduardo de João Maratá (PRP) – presidente – no âmbito de um suposto congresso de fachada em novembro de 2019. A delegada Thaís Lemos decidiu indiciar Eduardo por ser responsável pela autorização ao pagamento dos valores ao Instituto de Capacitação de Parlamentares (ICAP) – visto pelo PC como uma organização criminosa. Em outros 10 eventos autorizados pela Câmara somente no ano passado, tanto vereadores da oposição, quanto da situação, foram beneficiados.

A partir deste fato, aliados da família Ribeiro produziram uma denúncia solicitando abertura de uma CPI contra Eduardo de João Maratá. A apuração teria a intenção de investigar os tais pagamentos, mas vem na contramão de uma outra solicitação, em que se requereu a reabertura do processo de impeachment contra Hilda, já que agora não haveria mais o empecilho do anonimato.

Ambas as peças chegaram à Mesa Diretora nesta quinta e foram lidas. Com minoria na Casa, o grupo de Hilda foi derrotado, mesmo após o grupo da situação ter esvaziado a última sessão, e o processo foi reaberto – no sorteio o vereador Fábio Frank (SD), aliado da prefeita, foi escolhido relator. Já o pedido de CPI, foi simplesmente rejeitado. A justificativa utilizada para rejeição foi a de que a denúncia seria uma “missa encomendada”, afirmou o vereador JC (MDB) que foi concordado pelo grupo da oposição.