Há uma década recebendo aposentadoria da Câmara de Deputados, após ter sido cassado pelos colegas de Brasília, o ex-parlamentar federal e também ex-prefeito de Lagarto, Jerônimo Reis (ex-DEM), em entrevista à Aparecida FM, na manhã desta quinta-feira (14) fez um breve relato sobre sua passagem pela Prefeitura.

Segundo Jerônimo, foi ele o responsável pela criação dos Agentes Comunitários de Saúde de Combate às Endemias (ACS). Ainda na fala, Reis pontua que não criou o grupo em Lagarto com o intuito de que recebessem o dinheiro “e tchau”; sugerindo que isto é o que ocorre hoje. Comentário vem justamente em meio à pandemia do coronavírus, quando os trabalhos dos ACSs estão ainda mais expostos ao perigo.

Imediatamente, após repercussão da fala do ex-prefeito, o Sindicato da categoria – que é único em Lagarto, Riachão do Dantas e Simão Dias – reagiu através de uma nota de repúdio nas redes sociais. No texto, o SINDACSE escreve que os agentes comunitários foram criados em 1991, “como parte do processo de construção do Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecida por norma constitucional em 1988, ou seja, não foi criação de nenhum gestor do município de Lagarto”.

De acordo com o sindicato, o comentário de Reis nada mais seria do que uma “tentativa de diminuir a importancia do trabalho desenvolvido pelos ACSs”. “Em meio à pandemia o Agente Comunitário de Saúde tem desenvolvido um relevante trabalho informativo e de monitoramento de agravos em saúde, dentre outras atribuições e dentro das limitações que a atual situação nos impõe”, pontua a categoria.

Leia a nota na íntegra:

O SINDIACSE vem por meio desta, repudiar com veemência as colocações do ex-prefeito de Lagarto, o Sr. Jerônimo Reis, feitas em um programa de rádio, numa tentativa de diminuir a importancia do trabalho desenvolvido pelos ACSs, que desde da criação do seu programa vem contribuindo sobremaneira para a melhoria do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) brasileiro e no combate à mortalidade infantil. O ex-prefeito mostrou que desconhece as atribuições dos ACSs, pois ao dizer que, em meio à pandemia, “o Agente Comunitário de Saúde tem que está na rua, fazendo o levantamento das famílias de baixa renda”, o ex-prefeito confunde Atenção Básica em saúde com Assistência Social, pois cabe a esta fazer esse levantamento e, como uma extensão do poder público, minimizar a vulnerabilidade socioeconômina dos cidadãos.

O ACS, como categoria, resultou da criação do Programa dos Agentes Comunitários de Saúde em 1991, como parte do processo de construção do Sistema Único de Saúde, estabelecida por norma constitucional em 1988, ou seja, não foi uma ‘criação’ de nenhum gestor do município de Lagarto.

Em meio à pandemia o Agente Comunitário de Saúde tem desenvolvido um relevante trabalho informativo e de monitoramento de agravos em saúde, dentre outras atribuições e dentro das limitações que a atual situação nos impõe. Dizer que o ACS ‘só ganha o dinheiro e tchau’ é no mínimo desrespeitoso e ofensivo aos profissionais que, junto com outros da área da saúde, nesse momento de crise sanitária, então da linha de frente no combate à COVID-19. Exigimos respeito!”