O bom jornalismo não se limita a fazer denúncias com três parágrafos, sem apresentar números ou dados concisos; se limitando a generalizar, assumir vozes que não tem ou acusando do que não sabe. Envolve estudo de caso, apuração de informações previamente recebidas e um ciclo constante entre desistir de publicar e voltar a trabalhar sobre determinado tema. Uma matéria lançada hoje, não necessariamente nasceu hoje.

“Administrador do Xexo, até março, foi assessor parlamentar de Ibrain e desde 2019 recebeu R$2 mil, mensalmente, em recursos da Assembleia Legislativa de Sergipe (ALESE).”

Este, pelo menos, foi o modo de trabalho executado pelo O Papa-Jaca desde que aberto em janeiro de 2019. Quando atores políticos – a exemplo do deputado federal Fábio Reis (MDB) – tentaram absorver juridicamente as indagações publicadas em nosso portal, a própria Justiça foi quem garantiu a manutenção de nossos textos no ar. “O homem público deve estar preparado para os questionamentos da imprensa, não podendo melindrar-se com emissão de censuras”, transcreveu a juíza Daniela Bayma sobre matéria do nosso portal.

No entanto, esta mesma Justiça serve para impedir os excessos na liberdade de expressão, e é nesta toada que a juíza Camila Ferreira, do Juizado Especial Cível e Criminal de Lagarto, determinou que José Amilton Prata Júnior, popular Papito, apague uma publicação no Xexo Sergipano em que associa a prefeita Hilda Ribeiro (SD) a um suposto ataque virtual contra mulheres lagartenses, num ato realizado pelo MDB, no Dia da Mulher.

O ataque é tido como suposto justamente pelo fato de que a matéria não prova tal ataque e, muito menos, tendo ocorrido, se foi realmente feito por pessoas ligadas à prefeita. “A iniciativa do grupo de Hilda e Gustinho pegou muito mal entre as mulheres do município de Lagarto”, escreve Papito, sem citar a fala de qualquer mulher que ao menos representasse essa parcela da população.

Na decisão, a juíza Camila Ferreira deu um prazo de cinco dias – sob risco de multa – para que o Xexo exclua a publicação. “No caso em análise, numa cognição sumária, já se verifica pelo o título da matéria uma possível expressão apta a expor à honra ou dignidade da pessoa pública”, diz a juíza Camila Ferreira. E continua: “(…) retire a matéria do domínio virtual que lhe pertence, sob pena de arbitramento de multa, caso demonstrado o seu descumprimento”.

Histórico antiético

Em diversas reportagens, O Papa-Jaca já exibiu críticas à Administração Municipal. A mais recente, por exemplo, comenta com detalhes que o “Ministério Público pede para que Câmara apure em processo de impeachment se Hilda cometeu pedalada fiscal”. Porém, entre os ataques do Xexo Sergipano, está a equipe do O Papa-Jaca e seu editor-chefe, Danniel Prata.

Em mais uma publicação de apenas três parágrafos, lançada apenas horas depois de uma reportagem do O Papa-Jaca sobre o gabinete milionário do deputado estadual Ibrain Monteiro (PSC), o site Xexo – conhecido por este tipo de produção – escreveu que “internautas denunciam uso de drogas ilícitas por jornalista lagartense”. No entanto, nenhuma prova de que houve essa denúncia foi vinculada ao texto.

Além disso, Júnior Papito escreve como uma afirmação própria: “[Danniel] incentiva o uso de drogas e contribui para o tráfico em Lagarto”. A intenção da acusação inverídica se torna ainda mais óbvia quando se sabe que o administrador do Xexo foi assessor parlamentar de Ibrain, até março deste ano, e desde 2019 recebeu R$2 mil, mensalmente, em recursos da Assembleia Legislativa de Sergipe (ALESE).