Inegavelmente, o que mais deve nos chocar no boletim epidemiológico, em Lagarto, desta terça-feira (12) é a quantidade de pessoas aguardando o resultado dos testes. 23 lagartenses que estão à espera do Laboratório Central de Sergipe (LACEN) é nosso maior número em toda pandemia. Quantos desses serão confirmados? Pelo menos hoje, dois novos casos surgiram: uma mãe, de 53 anos, e sua filha de dois anos – ambas da zona urbana e que estão internada num hospital privado da capital.

“Se você, leitor, está acostumado com uma escrita mais técnica em meus textos, saiba que hoje não é o dia.”

A cada dia estamos perdendo o controle da doença. Se formos considerar os assintomáticos, a matemática irá nos surrar com a verdade de que estamos completamente ignorantes quanto ao surto por aqui. Isso deveria mudar nosso modo de ação para uma mais alinhada às diretrizes das autoridades de Saúde. Se você, leitor, está acostumado com uma escrita mais técnica em meus textos, saiba que hoje não é o dia.

Eu preciso dizer que os nove casos que felizmente receberam alta médica até o momento, não são números felizes – já que estes representam apenas 33,3% do nosso total de confirmados, enquanto a média nacional é de 41%. Preciso dizer também que os casos estão migrando e se concentrando nos povoados e bairros periféricos da cidade – locais cuja própria estrutura dificulta o combate ao coronavírus.

Hoje, o Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE) informou que já não possui nenhum leito de UTI disponível. No estado, incluindo os 10 leitos do HUL, a ocupação na rede pública chega a 64%. Caminhamos nitidamente para o dia em que critérios deverão ser definidos para escolher quem assume uma vaga na urgência ou quem morre na porta do hospital.

Pelo bem da sua família, do seu vizinho e dos seus amigos, respeite a quarentena. Salve vidas, incluindo a sua. Não trate a máscara de proteção facial com descrédito e desdém, nem muito menos se esqueça de higienizar-se. Agora não é o momento para se trancar na bolha do orgulho. Ou Lagarto se une, ou terá de suportar o luto dos filhos e filhas dessa terra.