Na madrugada do dia 5 de novembro, equipes do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado -,  prenderam onze vereadores da cidade de Santa Rita (PB) que retornavam de Gramado após participarem de um congresso considerado falso por policiais da DEOTAP – Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública.

A principal linha de investigação da Polícia Civil de Sergipe e do Ministério Público, que atuam em parceria, é a de que o congresso teria sido forjado para justificar a viagem dos agentes públicos à cidade de Gramado. Com isso, os agentes públicos receberiam diárias para a viagem. Entre os nomes, aparece o do vereador Joselmo Fontes, o popular Joselmo de Antônio Simões, como um dos poucos participantes do evento que fora promovido pelo Instituto de Capacitação de Agentes Públicos (ICAP).

Parte final do indiciamento. IMG: Reprodução/Polícia Civil

Ocorre que nesta terça-feira (12), O Papa-Jaca teve acesso ao relatório produzido pelas autoridades após abertura do inquérito. No documento, que já foi entregue à Justiça, os policiais citam em suas 144 páginas, entre outras coisas, o presidente da Câmara de Vereadores de Lagarto, Eduardo de João Maratá (PRP). Além de investigar a motivação da aprovação das diárias a Joselmo, a DEOTAP quer saber o porquê da empresa investigada – acusada de ser uma organização criminosa – ter contratos com a Casa lagartense desde 2017, quando o presidente era o atual deputado estadual Ibrain Monteiro (PSC).

“Dando seguimento aos trabalhos investigativos, solicitamos à Câmara Municipal de Lagarto as copias dos processos de contratação e pagamentos relacionados a empresa ICAP, no período de 2017 a 2019. Em resposta, a representante jurídica da Câmara de vereadores apresentou os empenhos solicitados, pelo que pudemos constatar que foram celebrados inúmeros contratos com a empresa investigada nesse interstício”, escreve a delegada Thaís Oliveira Lemos, diretora da DEOTAP.

Jerônimo Reis

O chefe da suposta organização criminosa é um homem de nome Manoel Sizino. Conforme apurado pelo O Papa-Jaca, em denúncia feita ao Ministério Público da Paraíba, Manoel já conhece a política lagartense. Entre 2007 e 2009, quando já possuía condenação pelo crime de estelionato na Prefeitura de Laranjeiras, Sizino esteve como secretário parlamentar de Jerônimo Reis.

Crime teria ocorrido no ano 2000, tendo o processo transitado em julgado somente em 2008. Filiado ao DEM, na época Jerônimo era deputado federal. No ano seguinte, em 2010, ele viria a ser cassado pelos colegas da Câmara após condenação por contratação de funcionários fantasmas em seu período à frente da Prefeitura de Lagarto.