Foto de Danniel Prata

Nesta segunda-feira (11), segundo o Núcleo de Vigilância Epidemiológico (NUVEp) municipal, o número de lagartenses com covid-19 segue em 25, além de dois óbitos. Porém, a quantidade de pessoas que aguardam o resultado dos testes subiu pelo quarto dia consecutivo e, agora, são 16 cidadãos suspeitos, um novo recorde diário; ontem eram 14.

Também hoje, O Papa-Jaca veiculou um texto de opinião sobre a questão da pandemia nas zonas pobres lagartenses. Sob o título “dificuldade de distanciamento social na periferia é retrato da desigualdade em Lagarto”, a produção trata da estrutura do conjunto habitacional João Almeida Rocha, que se mostra um impeditivo no combate à doença; nossa equipe visitou o COHAB.

“O centro, que foi onde o surto se iniciou, segue com apenas quatro.”

O tema coincide com os dados que passaram a ser divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), onde se exibe o avanço do Sars-Cov-2 por localidade. Segundo os números, 5 dos 25 lagartenses detectados oficialmente com a doença são do bairro Jardim Campo Novo, além da primeira morte que também ocorreu na comunidade.

A concentração chega a ser maior que a do povoado Colônia Treze (3), que já teve um caso confirmado desaparecido e é populacional e geograficamente maior que o Jardim, e o Jenipapo (4) – outro entre os principais povoados da cidade. Inclusive o centro, que foi onde o surto se iniciou, segue com apenas quatro casos; ou seja, menos que a comunidade periférica.

Protesto de crianças organizado por movimento social no Jardim Campo Novo. FOTO: Danniel Prata/Levante Popular da Juventude

Infectologista do Hospital Brasília, Ana Helena Germoglio afirma que a preocupação com as populações carentes passa pelo tamanho das casas e a quantidade de pessoas que vivem em pequenos cômodos. Além disso, o fator saneamento influencia no combate ao coronavírus: afinal, a maior orientação é lavar as mãos com água e sabão.

A médica afirma ainda que em regiões pobres, os idosos e doentes crônicos, que têm mais risco de desenvolver um quadro grave da Covid-19, têm dificuldades de controlar suas comorbidades. Isso porque encaram uma deficiência no acesso a serviços de saúde; muitas vezes não conseguem comprar medicamentos ou mesmo cumprir determinações médicas, como uma dieta balanceada e atividade física. “Há uma desigualdade social que faz com que os mais frágeis encarem consequências mais dramáticas”, pontua.