Sinceramente, é com profundo pesar que comunico que as autoridades de Saúde de Lagarto, em todos os âmbitos, desconhecem o futuro do município no cenário desta pandemia. Não por incompetência; na verdade, mera falta de controle dos Governos. Já chegamos ao segundo caso importado da covid-19 por aqui e as políticas de isolamento simplesmente não estão surtindo efeito – já que quase dois terços (59,3%) da população segue na ativa, segundo dados da In Loco fornecidos com exclusividade ao O Papa-Jaca.

“Não é sobre trancar a cidade, mas como mantê-la aberta de maneira responsável.”

O que quero dizer é que se tornou urgente a adoção de medidas mais racionais e que, de fato, sejam úteis na contenção do perigo. Quando as primeiras políticas foram criadas, foi preciso energia; não dava tempo de parar para pensar. Agora, porém, as melhores táticas já estão na mesa, basta que a classe política se sensibilize – ao invés de ficar debatendo quem doou mais esmola à extrema-pobreza lagartense, que, na verdade, precisa de políticas públicas eficientes.

Uma dessas medidas são as chamadas barreiras sanitárias. Todos os dois casos confirmados em Lagarto chegaram do Ceará, o primeiro um homem de 43 anos e agora um jovem de 25, que levou quatro dias até ir ao HUL para fazer a testagem, neste domingo (19). Repito: Ainda que esses dois indivíduos e seus familiares tenham cumprido, na totalidade, a cartilha da OMS quanto aos cuidados, antes da confirmação, e sigam em quarentena domiciliar, esta não é um decisão que deve partir do âmago da vontade individual – é preciso controle por parte do poder público.

Com um isolamento social tão baixo, é possível que Lagarto se torne o novo epicentro do coronavírus do interior do estado se não houver cuidado intenso; posto atualmente é disputado pelas nossas quase-vizinhas Itabaianinha (7 casos e uma morte) – que já possui as barreiras sanitárias – e Estância (9 casos).

O assunto não é sobre trancar o município, mas como mantê-la aberta de maneira responsável em meio à calamidade. Medir a temperatura e reconhecer sintomas de quem entra na cidade não custa menos que alguns termômetros de distância e montanhas de terra em vias que podem ser usadas como meio de despistar as fiscalização. É agora ou nunca.