Entra família e saí família da Prefeitura de Lagarto e a cada ano apenas fica mais evidente que as prioridades administrativas do establishment político – que perdura a décadas – no município são os interesses deles e dos seus; o povo vem depois.

Não é de hoje que O Papa-Jaca traz com exclusividade denúncias a respeito de irregularidades no trato administrativo do Município por parte de gestores. Apenas um exemplo, que se arrasta até hoje, foi quando o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SE) identificou 31 pessoas acumulando ilicitamente cargos dentro da Prefeitura – fato ocorreu antes da prisão de Valmir Monteiro (PSC), que posteriormente viria a ser afastado em definitivo num outro processo de improbidade que transitou em julgado no STF.

Agora, em meio aos decretos de calamidade pública – em virtude da pandemia do coronavírus no Brasil e da evolução para contágio comunitário da covid-19 no estado – o modus operandi da Prefeitura mostra-se parecido ao daqueles que, outrora, já passaram pelo trono do executivo lagartense deixando rastros sombrios.

Extrato do contrato. IMG: Reprodução

Que familiares das lideranças políticas recheiam os cargos em comissão e chefias das secretarias municipais isto já é sabido, a novidade agora é a contratação de uma empresa de um familiar por afinidade da secretária de Saúde, Polyana Ribeiro. A LH Indústria e Comércio foi admitida dispensando-se a licitação – conforme o Portal da Transparência – para fornecer materiais que compõe os chamados ‘kits de higienização’; distribuídos pela Prefeitura às famílias de baixa renda como forma de enfrentamento à pandemia.

O proprietário da empresa, Rafael Siqueira, é primo do prefeito de Salgado, Duílio Siqueira (PSB), que por sua vez é casado com a cunhada da prefeita Hilda Ribeiro (SD), a secretária Polyana – irmã do deputado Gustinho Ribeiro (SD). Além disso, Rafael é também cunhado da servidora da SMS de Lagarto, em Cargo em Comissão (CC), Thamires Siqueira; com salário-base de R$1 mil, mas que, somando as gratificações, sobe para cerca de R$6 mil.

Qualidade

O valor empenhado pelos produtos à LH foi de R$30 mil num processo que durou apenas um dia. Todavia, antes das denúncias apontando incongruências na contratação do serviço, populares já questionavam a eficiência dos kits no combate à covid-19. Sem álcool gel e máscaras, os materiais enviados se limitavam apenas a sabonete, sabão de coco e detergente – um dos produtos, inclusive, não apresentava os rótulos exigidos pela Vigilância Sanitária.