Publicado originalmente em 2019

O único que se livrou nessa história foi o ex-prefeito Lila Fraga (2013-2016), mas que acumula para si o título de pior prefeito da década mesmo entre os mais simpáticos. Este, porém, já teve problemas envolvendo improbidade quando foi tesoureiro do PTB em 2002. Caso a parte, todos os demais administradores do município desde a redemocratização foram condenados por atos ímprobos geralmente associados a desvios milionários da máquina pública. Mandato de Hilda Ribeiro (SD) se encerra em dezembro de 2020, mas ela também segue sem condenações.

Valmir tem dois processos em estágio avançado que podem retirá-lo definitivamente do cargo antes de 2020. (Foto: Reprodução/OPJ)

Valmir Monteiro (PSC) não está sozinho. Ele, que chegou a ser afastado em dezembro por desembargador sob a alegação de se facilitar investigação na segunda instância, tem processos nas varas civis envolvendo diversas irregularidades – a mais recente o trouxe uma condenação por envolvimento na Máfia dos Shows – e está preso no desenrolar do processo na esteira do Matadouro Municipal – crimes podem ultrapassar os 20 anos de cadeia. A perda definitiva do cargo por parte de Monteiro veio em outubro de 2019, quando o STF encerrou os recursos de um caso em que ele foi condenado por doar terrenos públicos a aliados políticos.

Desde que os efeitos de sentenças passaram a ter validade já na segunda instância, condenações de gestores municipais têm tido um processo bem mais veloz. Algo que não ocorria. Prefeitos de Lagarto tinham seus processos julgados com uma demora de pouco mais de uma década. Jerônimo Reis, que governou a cidade entre 1997 e 2002, só recebeu a primeira de suas sentenças em 2010. Na ocasião ele chegou a perder seu mandato na Câmara de Deputados, tendo sido cassado pelos colegas parlamentares.

Em outro caso envolvendo Jerônimo, o também ex-prefeito Zezé Rocha – empresário lagartense que comandou a Administração de 1989 até 1992 e de 2002 até 2008 – foi condenado a pagar uma multa no valor de R$ 1.135.606,47 por desvio de verba através de obra considerada superfaturada pela justiça. Condenação só chegou em 2017.

Jerônimo Reis (à esquerda) e Zezé Rocha. (Foto: Reprodução/OPJ)

Ainda no rol de sentenciados, o famoso, imperioso e superestimado Cabo Zé só recuperou seus direitos políticos no ano passado. Há 10 anos ele foi condenado a devolver aos cofres públicos pouco mais de R$ 60 mil – destes, R$ 43 mil teriam sido desviados ao longo de sua gestão (1993-1996). Em uma das fases dos vários processos que enfrenta, o ex-prefeito já foi condenado a restituir R$ 3 milhões desviados; decisão data de 2010 e já transitou em julgado. Há ainda outros 60 processos contra Cabo Zé no TCU.

Caras-de-pau

Todos os citados, porém, chegaram a acusar o responsável pelo andamento das acusações, o promotor César Leite, de perseguição política. Autor dos processos que sentenciaram todos os administradores desde 1989, César foi aposentado em fevereiro deste ano conforme apurado pela nossa equipe com exclusividade também em dezembro.

Cabo Zé retirando título até então cassado. (Foto: Reprodução/Internet)

Os condenados, além de acusarem o promotor, seguem recebendo apoio de parcela da opinião pública para continuarem ascendendo ou ao menos se mantendo politicamente. Todos eles fazem parte de algum agrupamento político-familiar e que repetem as práticas de seus pais e avós desde a Ditadura.

Antes de 1989, onde vigorava o regime militar, é fato histórico que a corrupção rolava solta, mas a transparência não era permitida. Estar ao lado de políticos sem que se saiba seu histórico é no mínimo compreensível à época. Difícil de se compreender é admitir “passar a mão na cabeça” de corruptores no país democratizado de hoje. Os caras-de-pau, aqui, não serão eles, seremos nós.