Interessada em saber o caminho do dinheiro do ex-capitão do BOPE no Rio e então chefe da milícia carioca, Adriano Nóbrega, percorreu antes de morrer na operação que buscava prendê-lo, em 9 de fevereiro, as equipes de Inteligência da Polícia Civil fluminense resolveram retroceder vários dos passos dados pelo assassino de aluguel. No dia 16, O Papa-Jaca revelou com exclusividade que a PC desconfiava que Lagarto teria sido um dos trajetos financeiros do miliciano.

O caso envolvendo a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) é apenas o mais famoso do qual Adriano estaria envolvido. Criminalmente, ele era investigado por diversas outras mortes profissionais, jogo do bicho, negócios com cassa-níqueis e também em casos de corrupção – a exemplo do esquema conhecido como ‘rachadinha’, na ALERJ, em que o atual senador Flávio Bolsonaro (sem partido) também é alvo de investigações.

A polícia considera importante entender os passos de Nóbrega justamente porque além da lavagem de dinheiro, o que permitiria identificar cúmplices de seu período enquanto foragido, Adriano estaria formando células de milícia na Bahia e em Sergipe. A ideia era enriquecer até construção de um haras de vaquejada no litoral norte baiano para manutenção do grupo criminoso.

Treinamento que recebeu para situações de risco no Bope foi essencial para situações de fuga que enfrentou. FOTO: Reprodução

A passagem do ex-BOPE por Lagarto foi confirmada pela polícia. Segundo as equipes, Adriano fixou-se no nordeste em setembro de 2019 e visitou diversas cidades até sua morte em fevereiro. No semestre anterior, ele participou de ao menos duas vaquejadas sergipanas, uma em Lagarto – data que coincide com a 56ª do Parque Zezé Rocha – e outra em Itabaiana. De acordos com a investigação, o miliciano às vezes se identificava pelo seu nome original e às vezes não – porém, seu codinome não foi revelado. Outra pista é o nome da equipe que ele representava: Dakar; não foi revelado também se seria o mesmo título em todas as competições.

Em janeiro de 2019, registros da Associação Brasileira de Quarto de Milha apontam que, usando seu próprio nome, Adriano disputou provas na categoria amador, na vaga de esteira, quando ficou em quarto lugar com seu parceiro Leandro Guimarães, o mesmo fazendeiro que lhe daria abrigo em Esplanada (BA) – há alguns quilômetros de Lagarto.

Não apenas Leandro, diversos outros pecuaristas – inclusive lagartenses – firmaram acordos de compra e venda com Adriano a partir da simpatia criada por conta de seus pagamentos em espécie, afirmam os policiais. Fontes ao O Papa-Jaca confirmam que políticos sabiam da identidade de Nóbrega, mas mesmo assim o ajudaram em seus negócios. Em breve mais informações.