Reportagem II

O depoimento da candidata do MDB em Lagarto, Marleide Cristina, ao Ministério Público Federal (MPF) durou apenas 20 minutos. Agora, ela deverá ser ouvida também pela Polícia Federal. O inquérito policial foi aberto no início de julho após a procuradora Eunice Dantas entender haverem “fortes indícios de crime de desvio”, afirmou.

“Está tudo na minha prestação de contas.”

Durante o vídeo conseguido com exclusividade pelo O Papa-Jaca diversas curiosidades são observadas. Entre as tantas, está a falta de memória da candidata. Em trecho, ela, que já havia disputado ao cargo de vereadora em 2016, disse que não entendia como alavancar a candidatura e, por isso, teria entregado tudo nas mãos do marqueteiro Cícero Mendes. Este foi alvo de reportagem do site também em fevereiro.

Na época, O Papa-Jaca havia descoberto que quase a metade dos recursos recebidos por Cristina na campanha de 2018 foram pagos a Mendes e a empresas ligadas a ele. R$175 mil foram enviados diretamente ao CNPJ no nome de Cícero, sendo justificados como gastos com “serviços de marketing”. Outros R$37,5 mil foram pagos à Innuve Comunicação digital Ltda – que Mendes consta como incluído em sua lista de sócios e administradores.

Cícero Mendes ameaçou acionar o sindicato dos jornalistas contra O Papa-Jaca, mas não prosperou. FOTO: Reprodução

Um adendo ao fato de que Cícero não apenas é ligado à família Reis, como é dono do Portal O Bolo é Grande – editorialmente parceiro do agrupamento político. Ele, que foi responsável pela campanha de Marleide e, possivelmente, de outras candidaturas, tentou justificar seu trabalho nas eleições com uma nota técnica assinada por ele.

Ao ser perguntada sobre os detalhes, Marleide disse ao menos por 15 vezes não se lembrar. Em seguida, as frases “está na minha prestação de contas” ou repassar a responsabilidade dos atos a Cícero foram usadas diversas vezes para se esquivar de perguntas da procuradora Eunice.

Assista alguns trechos: