As notas no vermelho foram diversas e atingiram Lagarto em cheio. O novo método, baseado em quatro eixos – Política Educacional; Piso Salarial e Carreira do Magistério; Transparência e Controle Social; Previdência e Garantia dos direitos dos Profissionais do Magistério Aposentados (as) – resumiu a Lagarto a avaliação 3,6.

Avaliações de municípios do centro-sul sergipano. (Foto: ASCOM/SINTESE)

No dia 27 de dezembro, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Sergipe (SINTESE) realizou um ato público chamado de Prova Final. A ação avaliou a política educacional dos 74 municípios – exceto Aracaju – além do Governo do Estado. Em 2017, o Governo Jackson foi avaliado com 0,9 pontos, já em 2018, com o novo método, o então governador Belivaldo Chagas recebeu 2 pontos.

Segundo o site institucional do sindicato, o ato avalia “dentro de cada um dos eixos se os gestores cumpriram a legislação, seja nacional, estadual ou municipal que regula a Educação. Cada item que compõe os eixos tem pesos que somados estabelecem notas [anuais] de 0 a 10 pontos”. Apesar da explicação, a secretária de educação do município, Vanda Monteiro, preferiu repudiar ao invés de se permitir à autocrítica.

Por meio de nota, Vanda, que estava de férias regadas ao bom vinho de Gramado (RS) quando soube da nota, exaltou sua gestão a frente da secretaria, mas esqueceu que a avaliação poderia ter sido pior caso nada tivesse sido feito. A ideia, então, seria tentar corrigir os erros, avançar e não se dar ao luxo de tentar tapar o sol com a peneira. Não se pode confundir a crítica com a politicagem, ou os reféns disso continuarão sendo as crianças menos aquinhoadas da cidade.

Por que não citar que a partir do 3º ano a taxa de distorção idade-série de alunos das séries iniciais municipais é de quase 40% e a taxa de reprovação beira os 20%? Vale ressaltar que esses números, desde que começaram a ser contabilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), permanecem estagnados e não apresentam qualquer tendência de queda. Isso sem contar que o IDEB municipal em 2017 (3,90) não atingiu sua meta (4,50).

Ato aconteceu no calçadão da Rua São Cristóvão, em Aracaju. (Foto: ASCOM/SINTESE)

Além da autopromoção, a secretária tenta assumir as vozes da comunidade escolar ao dizer que “a avaliação feita pelos coordenadores do SINTESE não condiz com a opinião dos professores, pais e demais envolvidos na educação municipal”. Ao classificar a nota como tendo origem a partir de “coordenadores” do sindicato, a secretária tenta, ainda, desmerecer a iniciativa. A irmã do prefeito, absolutamente, não entendeu o sentido mínimo da avaliação.

O que falta?

Em específico à política educacional, os gestores são avaliados nos quesitos Direito à Educação, que consiste no acesso à educação e evolução da matrícula, além do que diz respeito à Gestão Democrática do Ensino. Tomando como exemplo, o projeto de Gestão Democrática, uma das teclas mais batidas pela categoria nos últimos anos, nunca foi sequer considerado pela SEMED.

Vanda Monteiro, irmã do prefeito, passava as férias em Gramado (RS) quando recebeu a avaliação. (Foto: Instagram)

O projeto, além de retirar da prefeitura o poder de escolher quem serão os diretores e entregá-lo à comunidade escolar, cria conselhos de participação ativa na administração dos recursos em cada escola. Isso além de encerrar um ciclo coronelista na educação, permitiria que gestores competentes assumissem as instituições com a legitimidade do voto e fossem pressionados a executar bem seus papéis.

Lagarto pode entregar milhões de reais à educação anualmente. Nada será de fato efetivo se não houver bons projetos. Não estou dizendo que os que existem são péssimos, mas é preciso refletir, sem levar a questão para o lado político, o que significa uma nota 3,6.