Foto de O Papa-Jaca

Não apenas moradores de rua. É preciso pontuar que é muito fácil falar sobre isolamento em meio à pandemia do coronavírus e levantar a tag #fiqueemcasa, quando a sua tem dois banheiros, múltiplos quartos, sala, cozinha, quintal a céu aberto e até mesmo água e energia – não é preciso citar internet. A realidade de muitos lagartenses é de habitações desumanas.

“A prefeitura poderia usar as escolas que estão paralisadas como abrigo.”

Em reportagem exclusiva de março passado, O Papa-Jaca revelou dados quanto ao número de cidadãos com abastecimento regular, por exemplo. Conforme uma planilha da Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO) fornecido ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) – do extinto Ministério do Desenvolvimento Regional – ao menos 16% dos lagartenses nunca tiveram abastecimento de água em suas residências.

Nesta mesma tabela do SNIS, um outro número assusta: Dos cerca de 105 mil munícipes, somente 6.328 teriam esgotamento sanitário. Os números obtidos pela nossa equipe distanciam Lagarto de um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) considerado alto; entre 0,700 e 1,000. Com 0,625, conforme dados também conferidos pelo site, a cidade ocupa a 3587ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros.

Morador de rua se abriga no prédio abandonado do antigo GE Silvio Romero. FOTO: Danniel Prata/O Papa-Jaca

É inegável que, ao conhecer estes números a fundo, aumenta ainda mais uma preocupação sensata erguida nas redes sociais papa-jacas nos últimos dias: como ficam os lagartenses extremamente pobres em meio ao covid-19? É que tanto a Prefeitura, quanto o Governo do Estado, recentemente anunciaram medidas de prevenção à transmissão, mas não comentaram nada quanto aqueles que estão sem situação de rua.

Uma das internautas que mais repercutiu sua crítica foi a estudante Luana Souza, de 16 anos. Em seu perfil no Instagram – com mais de 17 mil seguidores -, ela sugere: “A prefeitura poderia usar as escolas que estão paralisadas para abrigar e proteger moradores de rua”. Luana se refere ao decreto que suspendeu as aulas em escolas estaduais e municipais – além de universidades – por um prazo prorrogável de 15 dias.

Postagem foi replicada em diversos perfis e grupos de WhatsApp. IMG: Reprodução

A sugestão não é uma medida inédita. Diversas prefeituras no país e outros governos no mundo já adotaram a política pública de habitação temporária, pelo menos ao longo do período de pico da pandemia do covid-19. O Papa-Jaca conversou com a estudante, que afirma que “Lagarto não tem uma quantidade tão grande de moradores de rua, então, um pequeno esforço da prefeitura e da população já ajudaria muito”.

“Eles precisam ser tratados com mais importância nesse período difícil, e com a ajuda da população seria mais fácil passar por essa situação. Precisamos nos solidarizar, então vamos ajudar o próximo com o que tá ao nosso alcance ao nosso máximo porque está sendo difícil para todos”, diz.