No mês passado, O Papa-Jaca exibiu mais uma denúncia de irregularidades administrativas na SEMED. Uma professora estaria recebendo rendimento semelhante ao do secretário da pasta – em fevereiro foi algo em torno de R$10,6 mil. Ao apurarmos a informação, constatamos que Bárbara de Azevedo não somente, de fato, recebera a quantia volumosa e injustificável, mas que ela é filha justamente da servidora sob a lupa do tribunal de contas por acumular ilicitamente três proventos. Ocorre que, o valor exorbitante voltou a se repetir em fevereiro e com a ousadia de um acréscimo singelo – foi R$11,3 mil.

“Agora, [a família] já ultrapassa R$200 mil [em um ano].”

Além da mãe, posta em cargo comissionado ainda na gestão do ex-prefeito Valmir Monteiro (PSC), seu marido, Rinaldo Rocha de Azevedo, também trabalha pela secretaria, como vigilante noturno – desde julho último e com provento de R$1,2 mil, segundo Portal da Transparência. No entanto, sua atuação enquanto servidor contratado seria questionável já que ele também manteria uma função no campus Lagarto da AGES – instituição de ensino superior privada – em horário correlato.

Há um tempo incalculável fora da sala de aula, por conta do cargo comissionado que ocupa, a professora Bárbara custou aos cofres públicos, apenas entre janeiro de 2019 e deste ano, um total de R$93 mil – tendo seus salários sempre abaixo de R$7,1 mil, crescendo exponencialmente no mês da denúncia e se repetindo no mês seguinte. Ao lado de sua mãe e do esposo, o valor total que a família desembolsou chegou a R$170 mil, em todo período. Agora, já ultrapassa R$200 mil.

Funcionários da SEMED ao O Papa-Jaca culpam o atual secretário de Educação, Magson da Academia, pela seletividade no pagamento de gratificações e destinação de cargos. Interpretado como “mero agente político” pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação (SINTESE), em comentário ao site, Magson foi alvo de um pedido de exoneração por parte do Ministério Público justamente por se negar a aplicar um processo seletivo na pasta que ocupa – além disso, o promotor lagartense Antônio Carlos justifica o pedido na morosidade da aplicação dos PPPs-BNCC, cujo prazo final é 2020, e pontua as múltiplas denúncias de perseguição política contra docentes.