O senador Alessandro Vieira fechou aliança política com os ex-prefeitos de Riachão do Dantas, Laelson Menezes (ex-PSC) e Gerana Costa (ex-Avante), ambos cassados durante suas respectivas gestões no município vizinho a Lagarto. Os ex-prefeitos devem assinar ficha de filiação ao Cidadania, mas a polêmica não se resume a este fato.

“O partido é comandado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado e preso por envolvimento no esquema de corrupção do Mensalão.”

O interesse de Vieira em concorrer ao cargo de governador parece cada vez mais nítido e, para isso, alavancar seu núcleo de apoios é algo de extrema importância na eleição municipal deste ano. Democraticamente, até aí não temos o que questionar, porém, sua sede pela liderança parece ser maior do que a coerência.

Em 2018, Alessandro foi eleito como senador mais bem votado em Sergipe, adotando a imagem de um ‘outsider’. Apoiou até Bolsonaro – outra figura política que surgiu com a ideia de renovar, mas, que no final, se cercou de corruptos. Ocorre que no último final de semana circulou na mídia um novo aperto de mão incompreendido por parte do senador, desta vez, envolvendo o ‘establishment’ aracajuano.

Vieira referendou o apoio do Partido Liberal – antigo Partido Republicano – à candidatura de sua pupila, Danielle Garcia, e estendeu tal apoio à 2022. O partido em questão é comandado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado e preso por envolvimento no esquema de corrupção do Mensalão.

Aliança repercutiu no estado. FOTO: Reprodução

O responsável pela inusitada aliança entre o dito impoluto Cidadania e o PL é o empresário Milton Andrade, que deixou o comando do diretório regional do NOVO para assumir o diretório do PL em Aracaju. Em Sergipe, o partido de Valdemar Costa Neto é presidido pelo empresário Edivan Amorim, conhecido articulador da tão criticada ‘velha política’.

Tanto em Aracaju, quanto em Riachão, os principais rivais do grupo pequeno burguês de Alessandro são políticos de esquerda – no primeiro caso, as candidaturas dos também brigados Edvaldo Nogueira e a de Márcio Macedo (PT); no segundo, a atual prefeita Simone Andrade (PCdoB), eleita justamente após a cassação da nova aliada de Alessandro. Percebemos que a ideologia também parece ser mais importante que a coerência.

Lagarto também é exemplo

Em sua primeira vinda a Lagarto depois das eleições, O Papa-Jaca tratou de participar do debate promovido pelo senador no Rotary Club. Na ocasião, escrevemos: Durante evento de senador em Lagarto, velha política se traveste de nova. Como somente mais tarde soubemos que a articulação era de interesse do próprio Alessandro, não jogamos no colo de Vieira o ônus de ter estado cercado propositalmente de figuras conhecidas da cidade.

No entanto, infelizmente, foi o que aconteceu. Uma das figuras mais importantes do Cidadania em Lagarto, atualmente, é a do ex-secretário – do também cassado Valmir Monteiro (PSC) – na pasta de Indústria, Comércio e Turismo (SEMICT), Itamar Santana. Destaque em reportagem do O Papa-Jaca, segundo relatórios de gestão da Prefeitura consultados por nossa equipe, o ex-secretário recebeu em salário, sozinho, 53% da despesa total da SEMICT – isto é, cerca de R$130 mil.

Na matéria, O Papa-Jaca buscou ainda por ações de Itamar ao longo do período analisado que justificasse o volume de dinheiro. Foi encontrado no Institucional apenas 3 ações em 2018: A própria posse do secretário, uma recepção a Agentes de Turismo na casa do prefeito afastado mediante prisão, Valmir Monteiro (PSC), e uma conversa com a Diretora de Turismo da Secretaria de Estado do Turismo, Lara Brunelle, e o Diretor de Eventos do JF Ringo, Eduardo Costa, do Parque das Palmeiras.