Após uma reportagem que revelou um esquema de laranja eleitoral justamente a partir do berço saramandaia, isto é, Lagarto, o deputado federal Fábio Reis (MDB) foi pioneiro em abrir uma ação judicial alegando danos morais pela matéria do O Papa-Jaca, pedindo para que esta fosse apagada. Na decisão da primeira instância, indeferindo o pedido do requerente em questão, a juíza escreveu: “o homem público deve estar preparado para os questionamentos da imprensa, não podendo melindrar-se com emissão de censuras”.

“Não quer que o povo saiba que foi cassado? Basta não se corromper.”

Não foi o primeiro processo dele. Um outro já havia sido protocolado, referente a um texto publicado que desmentia Fábio quanto ao recurso da reforma da praça Filomeno Hora – (1) a emenda não teria sido dele, mas do ex-deputado Heleno Silva (PRB) e (2) o motivo da paralisação, na verdade, foi uma decisão política do Governo Federal, que poderia ser revertida se houvesse um acompanhamento por parte do parlamentar responsável. Na audiência, porém, ele pediu desistência deste processo.

Jerônimo foi o responsável pelo processo mais recente da família Reis. FOTO: Reprodução

Vale ressaltar que a desistência demonstra não apenas a falta de interesse numa ação, mas um entendimento claro de que não há base para seguir com ele judicialmente. Também temendo a derrota, outros dois processos, desta vez, impetrados por Goretti Reis (PSD), foram arquivados pela deputada estadual. Ocorre que ser alvo de um processo desgasta e ocupa tempo do acusado – saber disso nos leva ao conceito ‘lawfare’, sobre perseguição jurídica.

Agora, uma 5ª citação foi aberta contra Danniel Prata, editor-chefe do O Papa-Jaca. Em reação, o também estudante gravou um vídeo de 15 minutos apontando as falhas da ação – cujo autor foi o ex-prefeito e deputado federal cassado Jerônimo Reis (MDB), pai de Fábio. Em nenhum momento, o político histórico acusa Danniel de mentir, mas apenas de associá-lo a um crime e de ser tendencioso. Assista ao vídeo-resposta clicando aqui.

Após a gravação, uma série de entidades da sociedade civil organizada decidiram se posicionar. Ao todo, até o momento, seis organizações já emitiram notas em repúdio aos ataques – que não se resumem ao campo jurídico – e em solidariedade ao editor do site. Entre as entidades estão o SINTESE, SINTRAF, o Grêmio Estudantil do IFS, MBL e o Diretório Municipal do PDT.

Confira: