Com a morte do ex-capitão do BOPE, Adriano Magalhães da Nóbrega, na manhã do domingo (9) numa operação na Bahia, as investigações seguem no intuito de descobrir por onde o miliciano circulou nos meses em que esteve escondido entre Sergipe e Bahia. A Polícia Civil do Rio acredita que as fazendas de gado — ele teria terras na Bahia e em Sergipe em nome de laranjas — eram uma forma usada para lavar o dinheiro. Ele também seria competidor em vaquejadas sergipanas, com o nome de equipe Dakar.

“Aumenta a possibilidade de que o miliciano-mor teria até mesmo laços comerciais em terras papa-jacas; um polo nacional da pecuária e da prática de vaquejada.”

Foragido, o ex-PM saiu do Rio e passou a comercializar e criar gado e cavalos de raça — reproduzindo o ofício de Mesquita, o “padrinho”, uma das pessoas cuja morte ele encomendou enquanto chefe do ‘Escritório do Crime’. Nesse longo período, Adriano dizia a parentes que tinha medo de ser morto como “queima de arquivo”. Mesmo assim, não cogitou se entregar. Adriano leva para o túmulo informações que poderiam desvendar uma série de crimes – entre eles o da vereadora Marielle Franco (PSOL).

Há cerca de um ano, Adriano vinha sendo monitorado. No início deste mês, houve uma operação na Costa do Sauípe (BA) para prendê-lo, mas ele escapou, deixando para trás uma identidade falsa. No domingo da morte, o ex-policial foi localizado no município de Esplanada, na área rural da Bahia, no sítio de um político do PSL. A cidade fica há 2 horas de Lagarto, o que aumenta a possibilidade de que o miliciano-mor teria até mesmo laços comerciais em terras papa-jacas; um polo nacional da pecuária e da prática de vaquejada.

Matador de aluguel foi morto a duas horas de Lagarto, em Esplanada (BA). FOTO: Reprodução

Na casa, havia duas pistolas e duas espingardas. Ao ser surpreendido, atirou com uma Glock calibre 9mm. Agentes contam que houve troca de tiros e que o ex-militar chegou a ser socorrido, mas não resistiu. A SSP-BA informou que, na ação, Adriano “resistiu com disparos de arma de fogo e terminou ferido”. Antes do confronto, os agentes baianos prenderam homens que davam segurança a Adriano. O material apreendido deverá ser analisado pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP, do Rio.

Deflagrada em 22 de janeiro de 2019, com base em investigações do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), do MP, a operação Os Intocáveis revelou que o ex-capitão comandava um esquema de agiotagem, grilagem de terras e construções ilegais, com o pagamento de propina a agentes públicos, a fim de manter seus negócios ilícitos, “sempre de forma violenta e por meio de ameaças”. Adriano era o único foragido. Outros 12 integrantes da milícia de Rio das Pedras estão presos.