Em dezembro de 2019, O Papa-Jaca exibiu a denúncia de que uma servidora da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) está respondendo a um processo aberto pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), por receber dos cofres público-municipais ao menos três rendimentos simultâneos. Ela não é a única citada pela reportagem.

“Ao lado de sua mãe e do esposo, o valor chega a R$170 mil, em todo período.”

Ocorre que Maria Salete Fernandes Santana é o caso mais grave, conforme relatório da 4ª Coordenadoria de de Controle e Inspeção (CCI-TCE), entre os 11 acúmulos ilícitos mantidos; após um total de 31 casos ilegais terem sido identificados na Prefeitura, somente em 2018, pelo TCE. O documento do CCI foi conseguido com exclusividade pelo O Papa-Jaca.

Agora, em uma nova denúncia de irregularidades administrativas na SEMED, chegou ao O Papa-Jaca que uma professora teria recebido somente em janeiro o salário de R$10,6 mil – rendimento semelhante ao do secretário da pasta. Ao apurarmos a informação, constatamos que Bárbara de Azevedo não somente, de fato, recebera a quantia volumosa e injustificável, mas que ela é filha justamente da servidora sob a lupa do tribunal de contas.

Além da mãe, posta em cargo comissionado ainda na gestão do ex-prefeito Valmir Monteiro (PSC), seu marido, Rinaldo Rocha de Azevedo, também trabalha pela secretaria, como vigilante noturno – desde julho último e com provento de R$1,2 mil, segundo Portal da Transparência. No entanto, sua atuação enquanto servidor contratado seria questionável já que ele também manteria uma função no campis Lagarto da AGES – instituição de ensino superior privada – em horário correlato.

Há um tempo incalculável fora da sala de aula, por conta do cargo comissionado que ocupa, a professora Bárbara custou aos cofres públicos, apenas entre janeiro de 2019 e deste ano, um total de R$93 mil – tendo seus salários sempre abaixo de R$7,1 mil, crescendo exponencialmente no último mês. Ao lado de sua mãe e do esposo, o valor total que a família desembolsou chega a R$170 mil, em todo período.

A família mantém vínculos políticos diretos com a Ribeiro, tendo Bárbara sido vista em missa na manhã da última quinta-feira (13) em comemoração ao aniversário da prefeita Hilda (SD). Em meados do ano passado, o atual secretário de Educação, Magson da Academia, foi alocado ao cargo de adjunto e logo foi denunciado ao Ministério Público acusado de perseguir professores partidariamente divergentes. Interpretado como “mero agente político” pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação (SINTESE), em comentário ao site, Magson poderia ser o responsável direto pela manutenção de determinados privilégios a indivíduos dentro da Secretaria, sobretudo em ano de eleição.

O Papa-Jaca está aberto para considerações e respostas, não recebidas até publicação desta matéria.