Em fevereiro de 2019, três eventos marcaram o debate público lagartense de segurança pública. Ambos os casos, de abuso policial, foram levados ao ar com exclusividade pelo O Papa-Jaca.

“Ausência de relatórios técnicos sobre temas importantes como este.”

O primeiro deles foi durante um bloquinho de estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Em horário ainda próximo do final e sem qualquer registro de início de confusão, algumas dezenas de universitários foram dispersados com uso desproporcional de gás de pimenta. Nossa equipe fotografou a presença dos militares no local.

Já o segundo foi mais chocante. Uma semana depois, uma vendedora foi alvo de uma ação de policiais que, acusando-a de desacato, pretendiam levá-la à Delegacia. Seu filho, menor de idade, gravava a cena com o intuito de impedir justamente que abusos viessem a ocorrer. No momento de algemar a senhora, porém, um outro policial simplesmente decidiu interromper a gravação segurando o garoto pelo punho e tomando seu celular. Recusando-se, o jovem questionou: “Vai pegar meu telefone por quê? E eu roubei foi?”.

Em seguida, o militar simplesmente o chutou, ocasionando a queda do rapaz, que seguiu se recusando a entregar o aparelho, sendo alvo de um soco e obtendo como resposta à sua dúvida apenas um: “Viado”, que na cabeça do policial deve ser um xingamento. Para azar dos PMs envolvidos, a cena foi gravada em três ângulos distintos. Todas as imagens foram conseguidas por nossa equipe. As vítimas eram negras, para variar.

O terceiro caso repercutiu no estado e envolveu uma acusação de quebra de prerrogativas de um advogado por parte da corporação. Segundo advogados, o colega Walla Viana, durante o bloco do bar Vapor Barato, teria sido levado alcoolicamente alterado por militares depois de se apresentar como representante de um folião envolvido numa confusão. O que não se justifica é como ele teria chegado à delegacia, após entrar na viatura, com marcas de agressão – entre elas um intenso sangramento no ouvido.

Após o terceiro evento, o 7º Batalhão de Polícia Militar (BPM) – responsável por Lagarto – foi duramente criticado pela classe. O Papa-Jaca questionou o tenente Arthur Lima sobre os eventos, mas, à época, este se limitou a adjetivar a ação dos subordinados de “exemplo de profissionalismo”, através de uma nota pública.

Agora, próximo de completar um ano, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Lagarto, foi procurada para comentar o andamento das apurações. Alex Sandro Nascimento, presidente interino, se esquivou e respondeu apenas que o assunto estava sob responsabilidade do presidente licenciado Eduardo Maia, que deixou o cargo em março para assumir a Secretaria Municipal de Educação, e que preferiria conversar pessoalmente sobre – sem data definida. Maia deverá retornar ao cargo depois da recente saída da SEMEC.

Alex Sandro foi questionado por nossa equipe após se encontrar com o tenente do 7º BPM e não apresentar qualquer avanço no debate que, como dito, já completa um ano. Advogados em geral foram procurados e estes criticaram a atuação do interino por conta do que chamaram de “visitas individuais e isoladas”, “aparentemente políticas”, “nenhuma audiência com a classe” e a “ausência de relatórios técnicos sobre temas importantes como este”. O Papa-Jaca aguarda e está aberta a um posicionamento.