Foto de O Papa-Jaca

Em seu segundo ano de mandato e nas vésperas das eleições nacionais de 2014, o deputado federal lagartense Fábio Reis (MDB) prometeu garantir a liberação de um recurso federal para restauração do prédio do antigo Grupo Escolar Silvio Romero. Sem recursos municipais e dependendo do valor, o então prefeito Lila Fraga (PSDB), na época aliado do parlamentar, concordou em transferir a responsabilidade da estrutura papa-jaca ao Governo do Estado.

“R$38 mil deveriam ter sido utilizados de maneira emergencial para ao menos manter o prédio.”

O documento que confirmou a ida do local à ossada da Secretaria de Estado da Cultura (SECULT) foi assinado em abril daquele ano, na presença do então governador Jackson Barreto (MDB) – que também buscava a reeleição. A ideia parida foi a de, após a restauração, entregar o que viria a ser a ‘Casa da Cultura Sílvio Romero’ à Academia Lagartense de Letras (ALL), que até hoje não possui uma sede. No entanto, a obra simplesmente não foi iniciada e o recurso, então, perdido.

Atual condição da estrutura. FOTO: Danniel Prata/O Papa-Jaca

Quatro anos depois, em mais uma véspera de pleito eleitoral, o deputado lagartense anunciou uma nova liberação, destinada pelo Ministério do Turismo – também no valor de R$500 mil. Do total, R$38 mil deveriam ter sido utilizados de maneira emergencial para ao menos manter o prédio secular – vítima do tempo e, inclusive, de um incêndio – em pé.

Ocorre que fontes ao O Papa-Jaca informaram que numa audiência com o Ministério Público em janeiro deste ano, a equipe do deputado admitiu que tal recurso teria sido perdido. Em consulta a dois sistemas federais de acompanhamento orçamentário, nosso site não voltou a detectar o valor destinado à obra. Há dois meses, a emenda era visível – isto é, de fato, ele teria sido novamente estornado.

Reis e Barreto. FOTO: Reprodução

Com a finalidade de garantir transparência à informação, O Papa-Jaca buscou o Ministério do Turismo e a Caixa Econômica; segundo os órgãos, em nota enviada com exclusividade, “as pendências não foram sanadas pelo Governo do Estado no tempo estabelecido pela regra vigente” e, por isso, o recurso foi perdido. Aguardamos um posicionamento do Governo do Estado e do parlamentar.