Há mais de uma década, o Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Sergipe (SINTESE) realiza o ato de encerramento das atividades de cada ano conhecido como ‘Prova Final’. Nela, os professores apresentam notas às gestões municipais e do governo estadual no sentido do cumprimento das legislações que versam sobre o tema. No novo método, apresentado em 2018, quatro eixos resultam no número final – (1) Política Educacional; (2) Piso Salarial e Carreira do Magistério; (3) Transparência e Controle Social; (4) Previdência e Garantia dos direitos dos Profissionais do Magistério Aposentados.

A nota do governador Belivaldo Chagas (PSD) foi de 2 pontos, em 2018, para 1,1 neste ano. Já Lagarto, que havia figurado com 3,6 no ano passado, fechou 2019 com 4,36. Apesar do crescimento, nota ainda é inferior a de municípios como Tobias Barreto – em que professores enfrentam duro impasse com a falta de pagamento do 13º salário. O Papa-Jaca procurou Benizário Júnior, professor de Geografia e um dos coordenadores do SINTESE, para explicar.

De acordo com ele, a avaliação de Tobias é um caso isolado, já que a nota teria fechado antes do prazo limite de pagamento. Porém, Benizário diz que o fato é que “não há cobertura orçamentária [na cidade]”, mesmo havendo verba suficiente, o que levou o município a uma “briga política entre Câmara de Vereadores e Prefeitura” para permitir ou não o remanejamento de recursos com a finalidade de realizar os depósitos. Fora isso, o município “paga praticamente tudo”.

Ato também contou com protesto contra deputados favoráveis à reforma da Previdência, como Ibrain e Goretti. FOTO: Reprodução

A responsável pela pasta da Educação em Lagarto em 2018 era a secretária Vanda Monteiro, irmã do ex-prefeito Valmir (PSC). Ao receber a nota vermelha sob novos critérios, a ex-secretária passeava em Gramado (RS), mas de prontidão emitiu uma nota repudiando a avaliação da categoria. Para ela, a avaliação “feita [apenas] pelos coordenadores do SINTESE”, enfatiza, “não condiz com a opinião dos professores, pais e demais envolvidos na educação municipal”. Vanda disse ainda que a intenção da nota seria “macular politicamente” a imagem da gestão de seu irmão.

Este ano, o secretário de Educação responsável pelo novo resultado também foi procurado. Para Eduardo Maia, o crescimento apresentado foi “exponencial”, tendo em vista, sobretudo, que este representou um salto de 17 posições no ranking com os demais 75 municípios – apesar da turbulência institucional vivida pela Prefeitura desde a troca de comando por questões judiciais. “Lagarto deixou o quadro dos últimos para fazer parte do pelotão de elite da educação sergipana”, afirmou.

“Esse resultado é reflexo da qualidade e do volume de políticas educacionais que a gestão implementou em nove meses, mas, ainda mais, do respeito e valorização com as pessoas que compõem a Educação: professores, vigilantes, merendeiras, diretores, coordenadores etc.”, concluiu Maia.