Horas depois de presenciar uma cena de ameaça e homofobia, a quinta-feira (5) da Câmara de Vereadores encerrou imbróglio que se arrastou ao longo do ano com um discurso contra o machismo na política. Desde o afastamento de Valmir Monteiro (PSC) em fevereiro, a cidade viveu um clima de indefinição constante – encerrado com a posse de Hilda Ribeiro (SD), após decretação definitiva da cassação de Monteiro.

“Peço a todas as mulheres que sejamos vigilantes.”

O imbróglio se delongou ainda mais depois de (1) Valmir conseguir que processo retornasse ao STF e (2) após o presidente da Câmara de Vereadores, Eduardo de João Maratá, adiar por 13 dias o cumprimento do ato de ofício e da convocação para nova posse; Procuradoria-Geral do Município (PGM) viu omissão e ameaçou abertura de processo de improbidade na segunda-feira (22).

Posse foi marcada às pressas para a tarde desta quinta-feira (5). FOTO: Reprodução

Com os nervos à flor da pele, na manhã em que a Mesa Diretora da Casa cumpria recomendação da PGM, aliados de grupos políticos rivais protagonizaram debate nos corredores que terminou em ameaça de morte e homofobia, por parte do funcionário público Luiz Carlos da Caraíba – como é conhecido.

A fim de atender a solicitação da PGM, os vereadores chamaram a posse já para tarde desta quinta. Hilda é primeira prefeita em definitivo do município de Lagarto e governará até dezembro de 2020; interinamente, a cidade já havia sido gestionada por Norma Dantas, vice de Lila Fraga (PSDB) e esposa de Zezé Rocha (DEM). No discurso, “inseminações de fake news” e “machismo” foram criticados. “Como mulher, jamais aceitarei diminuição da minha posição. Peço a todas as mulheres que sejamos vigilantes a todos os tipos de agressões quanto ao nosso gênero”, enfatizou.