Por Fátima Mara

Era sábado, 23 de novembro de 2019, a cidade reptiliana do centro sul de Sergipe, respirava futebol, pulsava futebol, transpirava futebol. Desde a noite anterior, a tradicional sexta-cheira lagartense, tudo era fogos, hino e buzinaço. Na certeza inexorável de que a Libertadores seria (como realmente foi) rubro negra.

Em uma fenda no tempo e espaço, numa casinha cheia de árvores arte e amor, uma fada por nome Angélica (sim, a vida pode ser irônica através dos nossos pais), guerreira das artes e educação, travava mais uma batalha para levar o seu Arquétipo Laboratório àqueles sedentos de cultura e arte, artigo raro e de luxo em terras lagartenses, diga-se de passagem.

Abrindo as portas de sua alma, corpo e coração, a fada Angélica, juntou-se à Casa de Função para mais um espetáculo de música, poesia, dança e amizade. Antes de o sol nascer, a fada já estava à postos, invocado as forças da Deusa que há em cada uma de nós, para fazer desta mais uma noite inesquecível pensando em cada detalhe que abrilhantasse a Casa de Função no seu laboratório de artes.

Enquanto ao longe se ouvia a ansiedade flamenguista a espocar fogos e tocar seu hino a todo momento, entre nós as batidas eram de pregos a fixar cortinas, o cheiro era da feijoada que perfumava o ar e o som eram as vozes de Anderson Ribeiro e André Lucas, a ensaiar, fazendo assim um fundo musical da mais alta qualidade para que a noite fosse inesquecível.

Evento ocorreu no sábado da final da Libertadores. FOTO: Reprodução

Eis que chega o fim do dia e a trupe se divide, uns vão ao bar assistir à final, afinal, ninguém é de ferro. Outros permanecem na arrumação, posto que, o show não pode parar.

E o que era silêncio mórbido com a vitória por 1 a 0 do River Plate sobre o Flamengo, irrompe em uma explosão de gritos, e fogos e a loucura generalizada de quem, já sem esperanças, viu seu time dar a maior virada dos últimos tempos e literalmente enlouquecer a Nação – para os flamenguistas, ou a mulambada – para esta Corinthiana que vos escreve.

E o que era para nos despertar de um sonho, com todo o barulho que só uma torcida campeã sabe fazer, nos fez mergulhar ainda mais naquela atmosfera de luz, paz e amor que só quem estava na Casa de Função, do Arquétipo Laboratório, foi capaz de sentir.
No mais, o que posso dizer é que o meu canal direto com o êxtase flamenguista se deu através de pessoas que pude parabenizar pelo feito épico do seu time, e me alegrar com a alegria de quem eu quero (ou queria) um enorme bem.

Música, poesia e dança da fada-filha Alice, foram o tom da noite regada a ótimos amigos e discursos inflamados contra o absurdo que vive este país, sob o comando de quem odeia o que ali se fazia com tanto amor e dedicação, pois em tempos sombrios, fazer arte é revolução.