Nenhuma foto de Manoel Sizino foi encontrada ou divulgada pela Polícia


O então presidente da Câmara Municipal de Santa Rita, vereador Saulo Gustavo Souza (PTN), foi denunciado em fevereiro ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) por formação de quadrilha juntamente com outros vereadores do Município, apontados por, supostamente, desviar verbas públicas por meio de pagamento de diárias e viagens, através de duas empresas sergipanas – uma delas, a mesma que organizou o evento que findou com a prisão de 11 vereadores na última terça-feira (5). Em julho desta ano, o presidente chegou a ser afastado do cargo e impedido de voltar pela 5ª Vara Mista do Município.

As empresas são a ICAP – Instituto de Capacitação de Agentes Públicos LTDA – e a IDAP – Instituto de Desenvolvimento de Agentes Públicos LTDA – , ambas estabelecidas no mesmo endereço, em Aracaju. De acordo com a denúncia, “trata-se de uma organização criminosa de propósitos absolutamente obscuros”. Elas possuem fundação à mesma época – a ICAP em maio de 2017 e a IDAP, em dezembro de 2016.  

Íntegra da denúncia ao MPPB. FOTO: Reprodução

Os sócios da ICAP são Manoel Augusto Sizino Leite Franco e Maria da Conceição Pinto Leite. Já a IDAP tem como sócios Ritcharlison Mauro da Silva e Ricardson Fabricio da Silva.  

Conforme a denúncia, o sócio da ICAP, Manoel Augusto, foi ex-secretário parlamentar entre os anos de 2007 e 2009, junto à Câmara de Deputados, lotado, à época, no gabinete do deputado Jerônimo Reis, cassado em 2010 por contratar funcionários fantasmas à Prefeitura de Lagarto – quando fora gestor. Manoel já teria também figurado entre os responsáveis pela empresa IDAP. Sua sócia seria a esposa. Ela foi candidata a vereadora em 2016, no município de Laranjeiras (SE).

A denúncia aponta ainda que o Manoel possui uma condenação criminal por estelionato na comarca de Laranjeiras (SE). Após consulta do O Papa-Jaca, ficou constatado que Sizino já possuía a condenação quando passou a trabalhar como secretário parlamentar do deputado cassado lagartense. Crime teria ocorrido no ano 2000, tendo o processo transitado em julgado somente em 2008.

Político papa-jaca foi citado. FOTO: Reprodução

“Assim, resta claro que não só os pagamentos para participação dos eventos, bem como as diárias destinadas ao deslocamento e participação dos vereadores da Casa Legislativa de Santa Rita – PB, jamais serviram para pagamento do fim que consta, mas para proceder pagamentos ilícitos e graciosos para que o presidente procedesse pagamentos de ‘acertos’ e ‘conchavos’, ou seja, fomentar a corrupção e retirar todas as chances da população”, diz a denúncia.

Com o fato da última terça, tendo em vista a Resolução 35/2005 do Regimento Interno da Câmara de Lagarto, O Papa-Jaca procurou o presidente da Casa, Eduardo de João Maratá, para esclarecer as autorizações para pagamento de diárias ao evento da ICAP. Eduardo não atendeu às ligações da nossa equipe, mesmo após publicação de matéria na tarde ontem, quarta.

Presidente da Câmara de Vereadores de Lagarto. FOTO: O Papa-Jaca

Coletiva de imprensa

Em entrevista após a Operação ‘Natal Luz’ – nome ironiza o suposto evento realizado em Gramado (RS), mas que foi organizado por uma empresa sergipana e com participação de políticos da Paraíba, sendo um de Lagarto – a Polícia Civil revelou ainda estar à procura dos sócios da ICAP.

Coletiva de Imprensa foi no convocada por procuradores e pelo Delegado da PC paraibana. FOTO: Reprodução

Em Aracaju, os sócios alugaram salas do imóvel de número 399 da rua deputado Carlos Correia, no bairro Siqueira Campos. Há cerca de dois anos eles se mudaram e deixaram uma dívida de aproximadamente R$ 1,5 mil com o aluguel e ainda pendentes de pagamento as faturas de água, energia elétrica e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), segundo revelou o dono do imóvel, Luís da Cunha, em conversa com o Portal Infonet.

Segundo Luís da Cunha, os sócios do Instituto alugaram, no primeiro momento a sala de número 13 e, posteriormente, se mudaram para a 14. “Quando eles estavam aqui na sala 13 pagavam direitinho, mas depois que mudaram para a 14 me deram um cano”, revela o dono do imóvel.