O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado – GAECO – efetuou, nesta terça-feira (5), a prisão de onze vereadores da Câmara de Santa Rita, na Grande João Pessoa, por suspeita de peculato. A Operação ‘Natal Luz’ investiga os parlamentares pelo suposto uso de recursos públicos para bancar despesas com uma longa viagem do grupo a Gramado, no Sul do País, sob a justificativa de que iriam participar de um suposto seminário.

“Grupo teve apenas uma manhã de programação, tendo o resto dos dias para o lazer.”

Caso envolve Lagarto não apenas pela participação de um lagartense no evento, mas, justamente, pelo motivo de não ser a primeira vez em que políticos da cidade estiveram envolvidos, por mais de uma vez, com atividades falsas, além disso, pagas com dinheiro público.

Diárias somaram R$3,2 mil. PRINT: Reprodução

Após a prisão dos parlamentares, as redes sociais na cidade passaram a repercutir a participação do vereador Joselmo Fontes – conhecido por Joselmo de Antônio Simões – como um dos poucos participantes do evento que fora promovido pela empresa sergipana Instituto de Capacitação de Agentes Públicos (ICAP). Em sua defesa, no Portal Lagartense, ele afirma que “fui para me capacitar, porque todos os congressos são bons e nesses 11 anos de mandato, eu somente fui a três deles”.

No entanto, segundo a Folha de São Paulo, dos quatro dias, o grupo teve apenas uma manhã de programação, tendo o resto dos dias para o lazer. O que também chamou a atenção dos procuradores é que a palestrante prevista no evento em Gramado publicou, em uma rede social, uma foto em que estaria no Ceará.

Vereador Joselmo Fontes durante sessão na Câmara. FOTO: Reprodução

O Papa-Jaca consultou o Regimento Interno da Câmara de Lagarto e esta, via Resolução 35/2005, responsabiliza a Presidência pela autorização do pagamento das diárias. O presidente, Eduardo de João Maratá, ainda não atendeu às nossas ligações. Já o presidente da Casa de Santa Rita, Anésio Miranda Filho, disse à imprensa que “aprovamos qualquer tipo de apuração e vamos levar isso em juízo de que foi legal. Existe lei que valida isso”.

Jumento Preciso

Outro caso semelhante e que chamou atenção após reportagem do Fantástico, em agosto de 2018, foi quando um cidadão inscreveu seu jumento, de nome Precioso, para receber o prêmio de ‘Gestor de Nota 10’ – e este de fato recebeu. Diversos políticos municipais foram denunciados em rede nacional por pagarem pela premiação sem critérios.

Acontece que este prêmio também foi dado ao prefeito afastado de Lagarto, Valmir Monteiro (PSC), ao final de 2017. A diferença com o jumento é que no caso lagartense, a suposta premiação foi paga com dinheiro público – constando no Portal da Transparência. A Prefeitura desembolsou, inclusive, o deslocamento e diárias de Valmir à capital de Pernambuco – Recife – somente para receber o dito reconhecimento.