A eleição municipal, no próximo ano, tende a ser a mais polarizada das últimas décadas em Lagarto. Grande parte disso se dá pela evidente saturação por parte da população com os grupos políticos tradicionais, chefiados, geralmente, por lideranças familiares que se alternam no poder da Prefeitura desde a Ditadura Militar.

“É neste contexto que uma leva gigantesca de partidos independentes se organizam para disputar o pleito.”

Tal alternância não se perpetuou de maneira semelhante ao Pacto Oligárquico da Política do Café com Leite vivenciada no Brasil ao longo da Velha República (1898-1930), onde a burguesia de Minas Gerais e São Paulo, de mãos dadas, controlaram a Presidência por 32 anos ininterruptos. A alternância lagartense foi construída sob um solo de constante rivalidade, de maneira que o senso comum impedia até mesmo o casamento entre bole-boles e saramandaias.

MP investiga desvio na casa dos milhõese utilização de laranjas por parte do gestor afastado. FOTO: Reprodução

A estrutura municipal sempre foi utilizada para mantê-los. Na ausência do voto aberto, que circunstancialmente permitia o ‘cabresto eleitoral’ pelo coronelismo antigo, a racionalização, por exemplo, de empregos e de benefícios como calçamento de ruas, entre aqueles que ao menos fossem a comícios e carreatas dos vencedores, encontrou raízes e se naturalizou.

Enquanto a corrupção stricto e lato sensu se espalhava, os filhos dos trabalhadores – e dos desempregados – tinham como ponto alto um emprego na Maratá ou no GBarbosa. Ser médico? Advogado? Até duas décadas era um sonho impensável.

O clímax deste cenário, além da perpetuação da extrema-pobreza e o grave problema da falta de saneamento, foi a prisão do prefeito afastado Valmir Monteiro (PSC) em fevereiro deste ano. O pûs da infecção na máquina administrativa papa-jaca não pôde ser contido. A população assistiu bestializada o ocorrido. Ainda sobre a rivalidade, falecido neste ano, o histórico Ribeirinho certo dia comentou em rede nacional: “Fomos uns tolos. Deveríamos ter nos unido em prol de Lagarto”.

Encontro de última hora, ocorreu durante passagem do parlamentar por povoados lagartenses. FOTO: Reprodução

É neste contexto que uma leva gigantesca de partidos independentes se organizam para disputar o pleito em 2020. Seria o prenúncio de uma década de modernização na cidade? Atuando sempre nos bastidores, uma dessas legendas é o Partido dos Trabalhadores. Nas várias últimas eleições, o PT se recolheu de disputar o Poder, mesmo tendo ligação direta com obras lagartenses realizadas nos Governos de Marcelo Déda e Dilma Rousseff – Mercado Municipal, reforma do Balneário Bica, Universidade Federal, Hospital Universitário, Centro Especializado em Reabilitação (CER III) etc.

A sinalização de construção saiu após reunião da base papa-jaca com o atual presidente do partido em Sergipe, o deputado federal João Daniel. O encontro de última hora, idealizado pelo produtor cultural Afonso Augusto, se deu na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Agricultura Familiar (SINTRAF) e teve a tese de desvinculação com agrupamentos coronelistas adotada pela quase unanimidade dos presentes. Nenhum nome foi definido.

Na reunião, estiveram presentes lideranças como o atual presidente do PT Lagarto, Flamarion Déda, da majoritária, e seu concorrente na eleição interna, Benizário Júnior, da corrente Articulação de Esquerda e um dos dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (SINTESE).

Eleições internas da legenda ocorreram em meados deste ano, na Câmara Municipal. FOTO: Reprodução