A principal linha de investigação da Polícia Federal no escândalo de laranjas eleitorais em Sergipe é se parte dos R$468 mil recebidos via Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) pela candidata Marleide Cristina (MDB) foram desviados para financiar a campanha do senador Jackson Barreto – também do MDB – e do governador Belivaldo Chagas (PSD).

Ainda em setembro, o delegado Antônio Carvalho chegou a pontuar ao O Papa-Jaca que a corporação “já sabe para onde foi o dinheiro”. Segundo ele, o caso é uma “história asquerosa” e teria “muita” ligação com a política em Lagarto. Ao longo da manhã desta quarta-feira (2), a Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão, um deles em Lagarto – na casa de Marleide.

Investigação do caso Marleide não é apenas eleitoral, mas criminal. FOTO: Reprodução

De acordo com uma fonte, documentos e aparelhos celulares foram apreendidos. Entre os achados estavam materiais de campanha de Belivaldo e Jackson, porém, com o CNPJ de Marleide. Caso tivesse ocorrido uma doação legal da campanha de Cristina às dos citados, o material não deveria estar com o CNPJ da candidata, mas com o dos respectivos políticos que aparecem no material. A hipótese de doação teria sido descartada pela PF até mesmo pelo fato de nos extratos das contas bancárias das campanhas não existir o registro de movimentação financeira que comprove a possível doação.

Seria este o motivo de a polícia pontuar através de nota que “constatou-se, ainda, que os valores gastos pela candidata eram desproporcionais aos gastos realizados por outros candidatos na contratação de serviços idênticos durante a campanha”.

As investigações – iniciadas após reportagem do O Papa-Jaca em fevereiro – prosseguem e os responsáveis estariam incorrendo na prática dos crimes de falsidade ideológica eleitoral (art. 350 do Código Eleitoral) cuja pena é de até 5 anos de reclusão e de apropriação indébita eleitoral (art. 354-A do Código Eleitoral) com pena de até 6 anos de reclusão.