Como resultado de investigação iniciada a partir de denúncia do O Papa-Jaca em fevereiro deste ano, a Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (2) uma operação com o objetivo de reunir provas em Inquérito Policial que apura possível apropriação indevida de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), referente a candidatura ao cargo de Deputada Estadual em Sergipe nas eleições de 2018.

Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Eleitoral de Aracaju. Um dos mandados foram cumpridos em Lagarto, na residência da ex-candidata do MDB, Marleide Cristina – tida como suposta laranja.

A candidata, que nunca havia exercido mandato eletivo, tem pouca visibilidade política no estado de Sergipe, porém, recebeu a importância de quase meio milhão de reais do FEFC, valor muito superior ao recebido por outros integrantes do partido que tiveram votação bem mais expressiva.

Políticos eleitos também são investigados. FOTO: Divulgação/PF

“Durante a investigação, identificou-se que a candidata praticamente não realizou campanha política e que os recursos recebidos foram utilizados para financiar material de propaganda política de outros candidatos. Além disso, passou a movimentar os valores para pessoas físicas e jurídicas que, aparentemente, não prestaram serviços para a campanha eleitoral.”, diz a PF em nota da assessoria. “Constatou-se, ainda, que os valores gastos pela candidata eram desproporcionais aos gastos realizados por outros candidatos na contratação de serviços idênticos durante a campanha”, prossegue a nota.

Além da residência de Marleide, outras buscas foram realizadas, a exemplo do marqueteiro Cícero Mendes – também denunciado em reportagens do O Papa-Jaca. Mendes recebeu sozinho quase a metade de todos os recursos enviados à suposta candidata laranja.

Os investigados respondem pela prática dos crimes de falsidade ideológica eleitoral (art. 350 do Código Eleitoral) cuja pena é de até 5 anos de reclusão e de apropriação indébita eleitoral (art. 354-A do Código Eleitoral) com pena de até 6 anos de reclusão.