Em eleições suplementares, a candidata Simone Andrade (PCdoB) acaba de ser considerada eleita pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SE). Os números da apuração foram divulgados após as 18 horas, mas desde antes os apoiadores da candidatura já estavam em clima festivo na sede do município. Simone figurou com 56,7%, Manuela Costa (PSC), apoiada por Gerana, com 36,6% e Pedro da Lagoa (PT) – sem apoio de nomes próprio partido – com 6,7%.

“Na área da Educação, defende a democratização da gestão municipal da rede; ou seja, fim das indicações políticas.”

Em sua conta no Instagram, o ID da eleita já consta com o título de prefeita. Mulher negra e professora, ela havia sido derrotada pela agora cassada, Gerana Costa (PTB), em 2016, com uma diferença de apenas 2%. Simone governará Riachão até dezembro de 2020 e, mesmo não tendo tomado posse, seu nome já é cogitado pelo grupo à reeleição. Em seu palanque esteve o senador lagartense Rogério Carvalho (PT); no da sua rival, o deputado Fábio Reis (MDB).

Não somente Costa, seu marido – eleito em 2008 – também foi cassado por abuso de poder econômico. FOTO: Reprodução

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu convocar um novo pleito suplementar após referendar decisão do TRE – que acatou denúncia do Ministério Público – em que Gerana foi declarada culpada de fraudar as eleições após divulgar pesquisa irreal, sem autorização do tribunal e nas vésperas das eleições.

Quem é ela?

No total, a professora Simone recebeu 7,09 mil votos – dos 16,1 mil possíveis. Seu grande diferencial é a extensa lista de propostas, registradas no plano de governo e disponíveis na ferramenta de divulgação de candidaturas do TSE. Em vídeos de campanha e materiais diversos, a candidata eleita parece pontuar a necessidade de uma política pensada nas camadas populares – o que se encontra diretamente com teor de suas ideias e também, sua vivência enquanto trabalhadora e mulher negra.

Simone em vídeo eleitoral. PRINT: Reprodução/O Papa-Jaca

Andrade é a única que dá espaço aos LGBTs em seu plano. No entanto, esse de longe é o único ponto importante de seu projeto político. Na área da Educação – sua primeira preocupação nas 19 páginas de propostas: Defende a democratização da gestão municipal da rede; isto é, diretores e o corpo administrativo eleitos pela comunidade escolar bienalmente. Outras metas são elencadas.

No eixo da saúde, o título do programa vem acompanhado da frase “acessível a todos e de qualidade”. Segundo o texto, a ideia seria desenvolve-la a partir dos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto pontua uma descentralização da gestão, “organizando redes regionais de atenção”, além de garantir uma cobrança antiga dos riachãoenses: “Serviços de Urgências e Emergências Hospitalares 24 horas através do hospital local”.

Há também propostas de políticas públicas nas áreas de Assitência Social, Cultura, Meio Ambiente, Agricultura, Transparência, Mobilidade, Segurança Pública, Esporte e Lazer. Confira na íntegra.