Em uma ação estadual, a Associação Sergipana de Transexuais e Travestis (ASTRA) realizou, em janeiro, audiências com o intuito de protocolar um dossiê realizado pela Rede Trans Brasil contendo os resultados do monitoramento de assassinatos dessa população em todo país. Para além do relatório, a Astra destacou que Sergipe está entre os estados mais violentos contra transexuais, ficando, proporcionalmente, em segundo lugar no país e em primeiro no nordeste.

“É muito lamentável isso. Só sabe o trauma a gente, que passa.”

No documento entregue cujo título é “Relatório da Astra sobre violações de Direitos e assassinatos de pessoas trans de Sergipe em 2018“, a organização relata que no ano ao menos 5 transexuais e travestis foram mortas no estado por crime de transfobia. Empatados em primeiro lugar, Lagarto e Nossa Senhora do Socorro contabilizaram cada, dois assassinatos – tendo o município do centro-sul registrado ainda o espancamento de uma terceira vítima. Dados colocam Lagarto como sendo o município que mais viola e assassina transexuais no estado que figura nas primeiras colocações do mesmo quesito. O relatório não expõe números nacionais.

Entre as mortes registradas está a de Bruna. Vitimada na noite de 25 de junho por arma de fogo em sua casa no bairro em que morava – Novo Horizonte – até hoje a Polícia Civil não conseguiu elucidar o crime. Fato completou sete meses na última sexta-feira sem a prisão de qualquer suspeito. Além dela, temos Gurita Santana – de nome social Anne Patrícia – que foi espancada há um ano em uma via lagartense.

Assim como o caso da Bruna, o fato vivido por Anne ainda não foi elucidado e foi tema para reivindicação nas redes sociais da blogger papa-jaca. Na ocasião do caso, todas os Centros Acadêmicos da Universidade Federal de Sergipe (UFS) emitiram nota em apoio à transexual agredida. “Hoje faz um ano gente, que fui agredida, infelizmente até hoje nada foi resolvido. É muito lamentável isso. Só sabe o trauma a gente, que passa por esse tipo de agressão. Mas está entregue tudo nas mãos de Deus”, conta Gurita.