Em denúncia ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE-SE), os procuradores pediram a cassação do mandato do deputado estadual lagartense Ibrain Monteiro (PSC) por abuso de poder econômico nas eleições de 2018. Se condenado, o parlamentar, além de ficar inelegível por oito anos, poderá perder o cargo.

“Ele usou eventos públicos como palanque.”

De acordo com o MPE, para promover o então candidato foi usada a máquina administrativa da Prefeitura de Lagarto. O prefeito do município, Valmir Monteiro (PSC), pai de Ibrain, durante o período eleitoral, realizou vários eventos e ações da prefeitura para projetar a candidatura do filho.

Procuradora Eleitoral Eunice Dantas em entrevista ao O Papa-Jaca. FOTO: Reprodução

O Ministério Público também aponta que a gestão do município reforçou o uso da cor verde, a mesma da campanha do candidato a deputado. A identidade visual do programa Prefeitura Itinerante era verde. A iluminação de evento promovido pela prefeitura também foi verde. O Fórum de Saúde da prefeitura também foi ornamentado de verde e o uniforme dos servidores confeccionados na mesma cor. Até as casas populares entregues em Lagarto foram pintadas de verde. “Foi claro o uso da cor verde para vincular a prefeitura de Lagarto com a campanha de Ibrain Monteiro, filho do prefeito”, destaca Eunice Dantas.

Na ação, o MPE também demonstra o inteiro engajamento de Valmir na campanha do filho. “A prefeitura de Lagarto realizou vários eventos com a presença do então candidato Ibrain Monteiro em destaque, ao lado de seu pai, o prefeito do município”, aponta a procuradora Regional Eleitoral. “Ibrain usou eventos públicos como palanque, ocupando lugar de destaque, entre correligionários e possíveis eleitores, com a finalidade de receber visibilidade direcionada à campanha eleitoral. Valmir utilizou-se indevidamente dos atos oficiais da entidade municipal para publicizar apoio político ao descendente”, explica Eunice Dantas.