A Ânima Educação comprou 74,03% do Centro Universitário Ages (UniAges) por R$200 milhões e entrou no mercado do Nordeste. A UniAges, com atuação em Sergipe e na Bahia, possui um campus modelo em Lagarto – inaugurado em 2017.

“Hoje, nenhuma instituição privada consegue nota cinco, é muito difícil.”

O grupo empresarial paulista é famoso no ramo em que atua, sobretudo, do ponto de vista financeiro. No entanto, deixa a desejar no quesito central da educação. De acordo com o INEP, o IGC – Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição – é um indicador de qualidade que avalia as Instituições de Educação Superior. Seu cálculo é realizado anualmente e leva em conta os seguintes aspectos:

  • Média dos CPCs do último triênio, relativos aos cursos avaliados da instituição, ponderada pelo número de matrículas em cada um dos cursos computados;
  • Média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu atribuídos pela CAPES na última avaliação trienal disponível, convertida para escala compatível e ponderada pelo número de matrículas em cada um dos programas de pós-graduação correspondentes;
  • Distribuição dos estudantes entre os diferentes níveis de ensino, graduação ou pós-graduação stricto sensu, excluindo as informações do item II para as instituições que não oferecerem pós-graduação stricto sensu.

Atualmente, a AGES concentra cerca de 5,6 mil estudantes em suas seis unidades. FOTO: Agência Brasil

No cálculo do Ministério da Educação (MEC), a Ânima não possui nenhuma nota 5 – que seria a nota máxima. Vale ressaltar que em maio, quando o Governo Federal anunciou um contigenciamento médio de 30% nas universidades e institutos federais, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), justificou a medida utilizando a federal sergipana em um exemplo falso ao afirmar que esta não possuía nenhuma nota 5.

Em entrevista deste mês à série UOL Líderes, o CEO do grupo, Marcelo Bueno, admitiu que “nossas notas são quatro” e, em tom de crítica ao método do MEC, completou que esta pontuação “já é uma dificuldade enorme”. “Não acho que o IGC seja o único indicador de qualidade, existem outros”, pontua.

Ainda em sua resposta à jornalista Mariana Bomfim, Marcelo diz que “há um conflito de interesses porque o MEC faz o ranking e, ao mesmo tempo, é o mantenedor das universidades federais, ou seja, é como se fosse o dono delas. Hoje, nenhuma instituição privada consegue nota cinco, é muito difícil”, justifica.