Reportagem I

O Papa-Jaca destrinchou em fevereiro uma série de incongruências na prestação de contas da candidata lagartense ao posto de deputada estadual, Marleide Cristina (MDB). A investigação jornalística se deu a partir de dados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e informações públicas presentes nas redes sociais da candidata e do deputado federal Fábio Reis – atual presidente estadual do partido.

Entre os fatos descobertos por nossa equipe – e que deram base para o início da ação do Ministério Público Federal (MPF) – está o aluguel, por dois dias distintos, de carros em dias que coincidem com carreatas da família Reis na cidade. Em nenhuma das fotos das atividades de rua em questão, mesmo aplicando dinheiro de campanha, Marleide sequer é vista com seus materiais. É por este fato que o deputado Fábio Reis processa, alegando danos morais, o editor-chefe deste site.

Em carreata paga por dinheiro de campanha, Marleide não utiliza seus materiais. FOTO: Reprodução

No depoimento ao MPF, a candidata admite ter feito os alugueis, diz não se recordar os valores, mas justifica que não fez sua própria carreata por crer ser muito caro – ainda que tenha recebido a maior parcela do fundo eleitoral de toda Lagarto. Na declaração, ela pontua que as carreatas seriam do governador, porém, apenas uma teve a participação deste. Além dos carros, cerca de R$200 mil – isto é, quase metade dos R$468 mil recebidos em campanha – foram repassados ao marqueteiro, também ligado à família Reis, Cícero Mendes.

Na análise de especialistas procurados pelo O Papa-Jaca, os resultados publicitários não condizem com preço cobrado. Em entrevista, a procuradora responsável pela investigação preliminar, Eunice Dantas, chama de “pífio” o marketing de Cristina nas redes sociais. Perguntada se o marqueteiro também seria ouvido, esta respondeu a nossa equipe que “Cícero deverá ser pela Polícia Federal”.

Isso se dá pois desde o início de julho o órgão passou a atuar no caso em específico a Marleide. Ainda segundo Eunice, ela foi a única candidata a apresentar indícios da prática de crime – o que explica a abertura de inquérito policial. Vale ressaltar que Cristina seria apenas a laranja do suposto esquema.

Assista a íntegra do depoimento: