“Aqui em Sergipe eu passei por vários locais e cidades: sede da IMPD na avenida Hermes Fontes, Arauá, Estância, Moita Bonita, Pirambu, Itabaiana, Itabaianinha, e outras. Porque eles dizem que os pastores têm que crescer senão não podem ficar naquela igreja, tem que mudar. E crescer significa conseguir ofertas altas dos fiéis: 50, 100, 200, 300 reais”, conta o pastor Osmani Franklin Mangueira da Silva, de 46 anos, que entrou na Justiça do Trabalho contra a Igreja por não assinar sua carteira após 11 anos de trabalho eclesiástico.

Em reportagem exclusiva do Cinform, o ex-sacerdote conta ainda que “minha mulher ficou depressiva. Me colocaram – quando eu estava na Igreja e era pastor – em uma casa sem geladeira, sem armário, sem guarda-roupas. A gente passava cinco dias sem água. O vaso sanitário estava quebrado. Eu ficava na igreja das 7h às 21h, almoçava dentro da igreja”.

“Na época em que eu saí da Igreja, uns outros 30 pastores saíram também. Pastor que não bate meta fica de castigo.”

A denúncia ao jornal acompanhou outros detalhes do comércio da fé no estado – que nada mais é do que uma réplica da indústria de arrecadações de Valdomiro Santiago no país inteiro. Na hierarquia da Igreja Mundial do Poder de Deus, pastores são meros protagonistas na produção, mas coadjuvantes no lucro. O salário bruto de um sacerdote pode chegar a míseros R$1,8 mil – com descontos, sem carteira assinada e sem direito a folga.

Prints foram divulgados nas redes sociais em forma de denúncia. IMAGEM: Reprodução/Cinform

“Os pastores têm que bater metas. E não há horários fixos a cumprir não. A ordem da igreja é clara: ‘traga todo o dinheiro que arrecadou na semana. Todo o valor da semana precisa ser depositado até meio-dia’. Acima de R$15 mil o pastor fica na sede. Caso contrário há mudanças”, revela o também ex-pastor Isaac, que atuou com a IMPD desde os 18 anos.

Isaac, em sua passagem pela igreja, trabalhos em diversas unidades de municípios do estado, incluindo Lagarto. Ao citá-las, ele revela o que seriam os números da arrecadação mensal: Glória, R$16 mil; Propriá, R$15 mil; Itabaianinha, R$22 mil; Cristinápolis, R$16 mil; Jardim Centenário, R$9 mil; Eduardo Gomes, R$10 mil; Itabaiana, R$60 mil, Marcos Freire, R$40 mil; Tobias Barreto, R$35 mil; Umbaúba, R$25 mil, Estância, R$30 mil; Lagarto, R$22 mil; Santos Dumond, R$33 mil; Simão Dias, R$20 mil; Canindé, R$16 mil, sede estadual, R$140 mil. 

“Quando comecei as denúncias nas redes sociais, o bispo daqui de Aracaju inventou que a gente tinha atirado no carro dele e que ele estaria com medo do atentado. Mas a verdade é que ele próprio mandou atirar no próprio carro para nos culpar. Aqui já tentei denunciar às TVs, mas é difícil. Além do que este esquema da IMPD é seguido também nas outras pentecostais”, pontua o ex-pastor sergipano.

Apesar do alto lucro da central da Igreja, pastores vivem na precariedade. IMAGEM: Reprodução/Cinform

E acrescenta. “Os bispos dizem assim: Quantas pessoas têm em sua igreja? Se forem 100 pessoas e a arredacação der, por exemplo, R$ 180, querem saber porque a arredacação é tão baixa. A linguagem ali é de valores. Mas deveria ser de amor, de pessoas buscando Jesus, de gente aceitando Deus”.

Para Isaac, uma das maneiras de solucionar a injustiças seria uma ação do Ministério Público em conjunto com leis que obrigassem as igrejas a assinarem as carteiras dos pastores e funcionários da fé, também conhecidos por missionários, além da da cobrança de impostos das igrejas.