Duas pesquisas, uma de 2016 e outra de 2017, estudaram a realidade de dependentes químicos em Lagarto. Os trabalhos foram realizados, respectivamente, pelo departamento de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe em São Cristóvão e, o outro, em Lagarto. Na época discentes, Ravena Melo e Jussara Secundo usaram o tema como TCC – Trabalho de Conclusão de Curso.

“Pontua-se que o consumo de mais de uma droga não quer dizer, necessariamente, o vício em mais de uma substância psicoativa.”

O laboratório das análises foi o Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Outras Drogas (CAPSad) da cidade. A primeira pesquisa trata das características e fatores associados à dependência química, já a segunda estudou o processo de intervenção farmacêutica na adesão ao tratamento farmacológico de pacientes do CAPSad.

Os números foram bastante semelhantes. Na pesquisa de 2017, ficou demonstrado que 76,7% dos 30 usuários registrados tinham seu vício ligado ao álcool. Enquanto que 66,7% tinham alguma ligação com o tabaco, 35,4% com a maconha, 10% com a cocaína e 13,3% com o crack. Vale ressaltar que as porcentagens somam mais de 100% já que as modalidades de vício também incluem o policonsumo – isto é, mais de uma substância psicoativa no cotidiano.

No entanto, o estudo de 2016 revela outro dado, apesar de parecido. O uso isolado de álcool atingia 30,4% da população analisada e “quando associada a outras drogas este número aumenta para cerca de 85% dos entrevistados”, pontua Ravena. O consumo dependente e isolado do tabaco e da cocaína não ficou demonstrado, somente quando associado a outras substâncias psicoativas (PAS). Já a maconha e o crack, isoladamente, era causa de vício de 2,2% dos pacientes.

Estudo da Universidade Queensland comprova que vício em maconha é menos provável que em álcool e nicotina. FOTO: El País

Outro aspecto analisado foi a relação faixa etária com número de PAS. Entre pessoas de 18 até 25 anos, o uso contínuo de mais de 4 drogas atingia exatos 50% e subiu para 92,9% quando a faixa se estendia ao público de até 35 anos – chegando a 0% entre pessoas de 47 à 72 anos. Pontua-se que o consumo de mais de uma droga não quer dizer, necessariamente, o vício em mais de uma PAS.

Por outro lado, o uso indiscriminado de uma única substância foi de 6,5% entre os mais jovens e aumentava, de maneira diretamente proporcional, chegando a 80,7% em indivíduos com idade entre 36 e 72 anos. Sendo o álcool a droga isolada (30,4%) e associada mais consumida pela população pesquisada no município, restou comprovado, também, que ela é a que mais se arrasta com o passar da idade. A frequência no consumo de acordo com a faixa etária não foi medido.

52% afirmaram ter iniciado o consumo a partir de familiares (4%) e amigos (48%), enquanto que 48% declararam que a motivação partiu de iniciativa própria. 94,6% eram homens; 80% eram negros ou pardos e 20% brancos; 48,3% tinham emprego, 6,9% estudavam, 39,1% estavam desempregados e 5,7% eram aposentados. Em 2017, número de empregados (46,7%), desempregados (40%) e aposentados (13,3%) variou levemente. 56,7% eram analfabetos.

A pesquisa de Jussara trouxe ainda a informação do uso de psicotrópicos pelos dependentes: Diazepam (24,6%), Carbamazepina (17,5%) e Haloperidol (17,5%) eram os remédios mais consumidos. Enquanto que Fluoxetina, Decanoato de Haloperidol e Amitriptilina eram os de menos uso – com apenas 1% dos pacientes cada. Ao final, a então discente alerta que “no Brasil os medicamentos psicotrópicos são as causas mais frequentes de intoxicação medicamentosa” e, por isso, “ressalta-se a importância da atenção farmacêutica nesse cenário”.

Outra variável apresentada por ela foi a prática de atividades físicas. 56,7% não praticavam, 10% realizavam atividades raramente, 16,7% uma vez por semana e outros 16,7% de maneira regular. Ambos os TCCs foram aprovados pela universidade.