Fotos de O Papa-Jaca

Se formando nesta sexta-feira (10) pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) no curso de jornalismo, Dayanne Carvalho tem um olhar alternativo na produção da informação a ser comunicada. Em conversa com O Papa-Jaca, a jornalista papa-jaca, cujas raízes estão fincadas no povoado Limoeiro, citou diversas vezes o termo “narrativas humanizadas” como um modus operandi. O ambiente da entrevista foi o atual prédio da Biblioteca Municipal.

Segundo ela, o modelo de jornalismo perpassa o campo literário e de proximidade e “coloca o indivíduo como protagonista da história em geral”, pontua. Teria sido a partir dessa lógica de trabalho, desenvolvido ao longo de sua passagem pelo coletivo universitário Sala de Reboco, que Dayanne produziu o livro-reportagem ‘Colônia 13 povoada’ – em que conta, a partir de moradores do povoado, a história e a dinâmica dos lagartenses que ali vivem.

“Enxergar a Colônia 13 da maneira como ela deve ser vista.”

“Desde que entrei no curso, eu sempre quis fazer algo relacionado a Lagarto”, conta ao ser questionada sobre de onde teria vindo a ideia de produzir a obra que, ao final, foi seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). “Quando percebi algumas movimentações que davam essa noção de autogestão na comunidade, foi aí que eu quis trazer essa informação para outras pessoas”, afirma.

À nossa equipe, Carvalho diz ainda que houve um tempo de pesquisa, antes da prática jornalística, e que, quando esta começou, o processo de introdução no povoado foi gradual. “Não levei câmera, gravador, nada”, conta sobre a primeira vez com os populares.

Livro foi produzido pela editora baiana-sergipana Vaza Barris. FOTO: Danniel Prata/O Papa-Jaca

As quatro histórias nas quais o livro gira em torno, estão agrupadas, individualmente, em quatro outras áreas: (1) Fé cristã, (2) Educação, (3) Saúde e (4) Agricultura.

Uma curiosidade percebida pela jornalista é que entre os anos 90 e o início da primeira década deste milênio, sobretudo diante da ascensão do conhecido líder comunitário Padre Almeida, a Colônia 13 adotou de maneira muito forte o discurso da emancipação em relação a Lagarto – ao contrário de hoje. Ao comentar a pauta, Dayanne mostra ceticismo à ideia de separação e diz que seu livro tem a intenção exata de fazer “enxergar a Colônia 13 da maneira como ela deve ser vista”. No entanto, diz acreditar “que o povoado vai tomar o rumo que ele precisa tomar em relação a isso e espero que seja uma decisão partida do povo, como todas as outras”.

Um exemplo de como funcionou a produção textual é o eixo da fé cristã e o próprio Padre Almeida. “Cada eixo é uma história diferente e cada história vai ilustrar esse recorte de trabalho. (…) O paroco é uma história interessante, porque ele faleceu em 2010, então foi um desafio contar a história dele e eu tive de ter contato a partir da visão de uma outra pessoa, que foi dona Carminha – ela é quem conta a história de Almeida e este está no eixo da fé”, revela Carvalho.

“Quando percebi algumas movimentações que davam essa noção de autogestão na comunidade, foi aí que eu quis trazer essa informação para outras pessoas.”

Sobre a produção física do ‘Colônia 13 povoada’, Dayanne diz que o intuito de se produzir algo de maneira artesanal sempre esteve presente e que a inspiração veio da própria comunidade que “se sustenta e se ergue pelas mãos”. No entanto, a jornalista pontua que chegou a imaginar que não daria certo. “Foi quando a [editora] Vaza Barris chegou e deu o encaixe perfeito”.

Dayanne Carvalho foi facilitadora no 1º Fórum Popular Aberto, promovido pelo portal. FOTO: Danniel Prata/O Papa-Jaca

A editora em questão foi aberta recentemente e o livro-reportagem em questão é a segunda produção “dos meninos”, afirma. Ainda segundo ela, as páginas do livro, em si, carregam a ideia de pertencimento da terra. “A obra tem [propositalmente] as páginas em tons mais terrosos e também com tons mais puxados para o vermelho”.

Por ora, o objetivo agora é fazer a pré-venda de maneira a anunciar o lançamento oficial que deverá ocorrer no próprio povoado e ao lado dos populares. “Quero que eles sintam isso comigo”, ressalta. Ao ser questionada sobre projetos futuros a jornalista denota paciência e diz que “ainda estou no processo de abstrair os resultados deste trabalho”.