Em novembro de 2016, o Campus Lagarto do Instituto Federal de Sergipe foi ocupado por cerca de 50 estudantes. A ocupação havia sido aprovada por ampla maioria através do voto gerado internamente nas turmas e, em seguida, confirmada em Assembleia com a presença de algo em torno de 350 discentes dos mais variados cursos.

A justificativa era unir-se à crescente onda de ocupações nacional que havia surgido com os institutos Brasil afora. A luta era contra a aprovação da PEC 55 que, hoje aprovada, impede o crescimento da verba pública, inclusive, à Saúde e à Educação, acima da inflação por 20 anos, além de possibilitar cortes. A ideia inicial já incluía a fragmentação da rede federal, mas, com o abandono da ideia pelo Governo Temer e o foco dado à proposta do congelamento, as ocupações também se expandiram às escolas estaduais. O deputado lagartense Fábio Reis (MDB) foi favorável à proposta.

Em vigor, a agora EC 95 contingenciou o montante do MEC em R$5 bilhões para 2019. No entanto, a queda orçamentária não para por aí. O novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou que as universidades e institutos federais sofreriam um corte de 30%. O discurso ganhou notoriedade em Sergipe após o Casa Civil, Onyx Lorenzoni, justificar a medida na UFS alegando baixo desempenho da instituição – desmentida pela mesma através de nota.

Em congresso de institutos, IFS Lagarto chegou a aprovar 47 trabalhos científicos, ficando em 2º lugar nacionalmente. FOTO: ASCOM

A situação surge mais grave. Lagarto possui 3 instituições diretamente ligadas ao orçamento do MEC: (1) Hospital Universitário, (2) campus Lagarto da UFS e (3) do IFS. Em conversa com nossa equipe, o diretor do instituto, Osman dos Santos, estimou um corte de 45%. “[Ao que se sabe] não haverá na assistência estudantil, mas será maior que 30% na verba de custeio”, pontua.

Segundo ele, nos anos anteriores a política de contigenciamento dificultou o trabalho da rede, mas “esse foi o maior”. Osman acredita que o corte pode chegar a 45% pois não foi anunciado que a medida atingiria as bolsas que mantém alunos na instituição – vale ressaltar que os valores e a quantidade dessas bolsas já são insuficientes. Sendo assim, a concentração do corte seria maior na cifra responsável pelo pagamento de água, energia, manutenção da estrutura e outros.

Ao O Papa-Jaca, o diretor conta que nenhuma portaria foi enviada ao campus, até o momento, mas que se o Governo não desistir da medida, “não teremos como funcionar depois de setembro”. “É o momento de mostrarmos a importância do ensino federal”, concluiu.

Atualmente, a instituição lagartense disputa a liderança estadual no ranking anual do ENEM, além de ser recordista municipal no envio de discentes do médio ao ensino superior, sobretudo federal. Congressos nacionais e internacionais garantem oportunidades aos alunos de baixa renda do instituto. Agregando estudantes de cidades vizinhas, o IFS também conta com cursos de ensino técnico agregado ao médio e superior – sendo Arquitetura e Urbanismo recém-aprovado à grade do Campus.