Em números da Justiça Eleitoral, conforme apuração do O Papa-Jaca, o deputado estadual Ibrain Monteiro (PSC) foi o que menos gastou com a campanha em Lagarto. Além disso, dos candidatos ao pleito, ele era o juridicamente mais pobre – em toda sua vida política, jamais declarou um único bem aos tribunais.

No entanto, a informação acerca da verba de campanha ainda merece mais destaque. Na última sexta-feira (26) o juiz Marcel Britto entendeu pela soltura de investigados na Operação Leak, Joel do Fumo e Anderson Andrade. No embasamento da decisão, o magistrado anexou o argumento dos procuradores para que a prisão tivesse sido efetuada. Em parte do pedido da preventiva, o Ministério Público cita a eleição do deputado. Nossa equipe teve acesso ao documento.

Para que se entenda melhor: Nem a soltura dos réus, nem mesmo a prisão, tem a ver com o mérito do processo. Porém, os juízes que avaliaram o caso, do TJ ao STF, concordaram que os indícios de lavagem de dinheiro imputados aos aliados de Valmir Monteiro e, em especial, a ele mesmo, eram suficientes. No texto em que o alvará é considerado, o magistrado citado pontua, inclusive, que o motivo de se permitir a saída do empresário e do ex-Finanças é apenas o de que “é possível perceber [por ora] não haver uma periculosidade evidente ou maiores riscos ao processo, que justifiquem o afastamento total do meio social”.

Investigação do Matadouro foi aberta em 2016. FOTO: Reprodução

Ainda conforme apuração do O Papa-Jaca, denúncia por organização criminosa e lavagem de dinheiro foi entregue em 11 de março e o inquérito policial, neste âmbito, além do depoimento de testemunhas, já foi concluso.

Em meio à juntada de provas, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF – povoam os pedidos e despachos. Um exemplo detectado, foi uma nota gerada no valor de R$100 mil, a um escritório de advocacia, por Valmir em janeiro, sendo que seus bens estariam bloqueados. O ministro Rogério Schietti, do STJ, entendeu que esta também é uma prova de que Monteiro possuía dinheiro oculto.

Trecho do pedido MP de prisão preventiva. Print: O Papa-Jaca

No que cerne a Ibrain, o COAF identificou 15 saques – ao longo de setembro de 2018 – no valor individual de R$50 mil feitos por Joel, no que poderia ser à campanha do filho de Valmir. Tanto o juiz Marcel Britto, quanto o ministro Rogério Schietti – do STJ – citam a tese do MP, mas somente o segundo destaca o relatório do conselho e o número de saques. Schietti, na despacho em que negou a liberdade aos envolvidos, vai além e diz ainda que o comportamento do aliado do prefeito é uma “clara tentativa de burlar a identificação da origem do dinheiro”.

Se houver alguma ligação entre a corrupção do empresário com a campanha Ibrain, estará claro o motivo de, mesmo possuindo um limite de quase R$1 milhão, o deputado estadual ter declarado o uso e recebimento de apenas 10% desta quantia. Comprovado os indícios, uma nova linha de investigação deverá ser aberta. A Operação Leak segue em segredo de Justiça.